Curitiba - A Justiça do Trabalho determinou ontem que a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) permita a saída dos funcionários que já cumpriram a carga de 8 horas diária na empresa. A decisão, de caráter liminar, foi expedida pela juíza Paula Regina Rodrigues Matheus e determina uma multa de R$ 500 mil por dia se a determinação for descumprida.
  Ontem os petroleiros também recusaram a proposta apresentada pela empresa em reunião realizada na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. ‘‘Foi uma proposta muito tímida, quase ofensiva e que foi recusada em mesa pelos sindicatos’’, informa Silvaney Bernardi, presidente do Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro PR/SC).
  Segundo Bernardi, os funcionários que estavam de plantão na Repar no domingo, quando começou a greve, foram mantidos dentro da refinaria, trabalhando, até ontem de manhã. ‘‘É um absurdo. Essas pessoas foram mantidas em situação de cárcere privado’’, acusou. ‘‘Foram mais de 42 horas de plantão, uma situação que coloca em risco não só os trabalhadores, mas também toda a comunidade já que o risco de acidente é grande’’, diz.
  Com o fracasso das negociações de ontem, o Sindipetro sinaliza com a possibilidade de manter a paralisação, cuja duração prevista era de cinco dias, por tempo indeterminado. ‘‘Se as negociações não evoluirem existe essa possibilidade’’, adianta Bernardi.
  Em comunicado à imprensa, a Petrobras informou que há equipes de contingência nas suas unidades que foram acionadas nessa terça-feira e estão responsáveis pela operação da refinaria desde então. ‘‘As equipes mantêm o funcionamento das unidades, respeitando os padrões de segurança da Companhia’’, diz a nota.
  Até o fechamento dessa edição a empresa não havia se pronunciado sobre o resultado da reunião com os sindicatos. A empresa também não comentou a concessão da liminar contra a Repar.
  No Paraná, além da Repar, foram atingidas pela paralisação a Usina do Xisto de São Mateus do Sul e o terminal Transpetro, em Paranaguá. Os petroleiros reivindicam a manutenção dos postos de trabalho nas empresas contratadas pela Petrobras, a melhoria nas condições de trabalho, o pagamento de horas-extras para funcionários que trabalharem em feriados e a revisão do pagamento de participação nos lucros e resultados da empresa.

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