A Justiça atendeu o pedido feito pelo promotor de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar, de sequestro e arresto de bens de seis pessoas ligadas à construtora Iguaçu do Brasil, investigada por estelionato, falsidade ideológica e formação de quadrilha na comercialização de imóveis em Londrina. A medida visa assegurar a possibilidade de ressarcimento para pessoas que venderam terrenos ou compraram residências em condomínios da empresa, de propriedade do ex-prefeito de Mandaguari Carlos Alberto Campos de Oliveira.
A decisão é do juiz da 9ª Vara Cível de Londrina, Aurênio José Arantes de Moura, que também determinou a proibição de venda de novos imóveis ou criação de empreendimentos pela construtora. Em caso de descumprimento, a Iguaçu levará multa de R$ 5 mil por dia. O juiz ainda tornou indisponíveis as cotas de sociedade da construtora.
Sogaiar afirma que a Justiça bloqueou imóveis ligados à empresa ou a seis pessoas ligadas à Iguaçu, bem como saldos em contas correntes e veículos. "Pelo sistema Renajud (Restrições Judiciais de Veículos Automotores), 33 carros já estão com restrição gravada e não podem ser negociados", diz. Porém, o promotor afirma que não é possível determinar o quanto valem os bens ou a quanto chega o prejuízo das pessoas que compraram imóveis ou venderam terrenos à Iguaçu. "São medidas cautelares que nos dão 30 dias para concluir a ação principal", completa.

Prisão prorrogada
A Justiça prorrogou ontem, por mais cincos dias, a prisão de Oliveira e de mais duas pessoas ligadas à direção da Iguaçu. Eles seriam libertados ontem, quando venceria o prazo temporário anterior, mas o delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, afirmou que fez novo pedido por conveniência da investigação.
Os detidos são acusados de vender lotes em ao menos 12 condomínios, com irregularidades como falta de licença para loteamentos na prefeitura, falta de pagamentos para os donos das áreas e de registro de propriedade dos terrenos. Ao menos 600 pessoas foram lesadas em um esquema que ultrapassaria R$ 60 milhões em prejuízos, segundo contas de clientes da Iguaçu.

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