Justiça decreta prisão de dono de posto
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quinta-feira, 17 de outubro de 2002
Benê Bianchi<br>Reportagem Local 
A Justiça decretou ontem a prisão preventiva do dono do Posto Esperança e presidente da Associação dos Revendedores de Combustíveis de Londrina (Arcom), Ariovaldo Ferraz de Arruda, por crime contra a ordem econômica (cartel), formação de ajuste e acordo de empresas, prejudicando a concorrência, e fixação de preços dos combustíveis. Ontem, promotores criminais e policiais militares da P2 tentaram localizar o empresário, que já é considerado foragido da Justiça. No final da tarde, foram expedidos cópias do mandado de prisão para as polícias civil, militar e federal. A pena prevista, em caso de condenação, é de 2 a 5 anos.
A prisão foi decretada pela juíza da 5 Vara Criminal, Oneide Negrão. Na ação, os promotores também pediam a prisão preventiva dos diretores da Arcom Hamilton Cobo Pires, Valter Domingos Sasso, Silvano Leite de Almeida e Antonio Marques da Silva. A juíza entendeu que apenas Ariovaldo Arruda deveria ter a prisão preventiva decretada por ser o principal responsável pela Arcom e mentor das reuniões que definiam os preços dos combustíveis a serem praticados pelos postos da cidade.
A ação contra os dirigentes da Arcom foi originada de um outro processo envolvendo sete donos de postos, que também tiveram a prisão preventiva decretada sob acusação de formação de cartel, no final do ano passado. Eles respondem a acusação em liberdade.
Estão atuando no processo os promotores Miguel Sogaiar, da Promotoria de Defesa do Consumidor, Carla Macarini e Sérgio Siqueira, da 4 Vara Criminal, Janderson Iassaka, da 3 Vara Criminal, Silmara Nogari e Jorge Fernando Barreto da Costa, da 2 Vara Criminal, e Eduardo Matni, da 5 Vara Criminal. Segundo eles, o caso é bastante complexo, por isso o envolvimento de praticamente todos os promotores criminais.
Em coletiva à imprensa ontem à tarde, os promotores informaram que o pedido de prisão foi solicitado para garantir a ordem econômica, uma vez que a prática do crime ocorre rotineiramente em Londrina. Segundo eles, nos interrogatórios que constam no processo, donos de postos declararam que há temor, no setor, com relação ao presidente da Arcom, que os constrange a seguir os preços determinados.
''Nós acreditamos que com a prisão do réu, a pressão sobre os donos de postos diminui e eles se sentirão mais à vontade até para baixar os preços'', argumentou o promotor Miguel Sogaiar. Ele acrescentou que, devido às declarações dos empresários do setor, foi imputado à Ariovaldo Ferraz Arruda também o crime de constrangimento ilegal.
Os promotores irão analisar a decisão da juíza de decretar apenas a prisão de Ariovaldo Ferraz Arruda para decidir se recorrem ou não. Eles adiantaram que um novo inquérito está aberto para investigar as distribuidoras de combustíveis. As investigações ainda estão no início. ''Nosso objetivo é desbaratar o cartel de combustível em Londrina'', disse Sogaiar.
A reportagem tentou falar com o empresário Ariovaldo de Arruda, pelo telefone celular e no Posto Esperança, mas não conseguiu localizá-lo.


