Justiça dá prazo para BC liberar documentos do Bamerindus
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2002
Vânia CasadoDe Curitiba 
Curitiba - O juiz Álvaro Junqueira, da 7ª Vara Federal de Curitiba, estabeleceu um prazo de cinco dias, desde ontem, para o Banco Central liberar documentos de avaliação do Banco Bamerindus e das empresas do grupo, Inpacel e da Seguradora Bamerindus. Com isso, o BC tem até segunda-feira para apresentar essa documentação que vem sendo solicitada há muito tempo pelo ex-senador José Eduardo de Andrade Vieira, que foi controlador do Bamerindus antes da intervenção ocorrida há cinco anos.
A expectativa de José Eduardo é que esses documentos apresentem os critérios utilizados pelo BC na avaliação do banco e das empresas do grupo Bamerindus. Quero saber quais foram os critérios utilizados na avaliação do patrimônio do banco para que eu possa fazer uma defesa mais concreta. Até hoje o BC divulgou uma uma série de insinuações sobre o Bamerindus, sem que tenha dado informações concretas para nossa defesa , acrescentou.
José Eduardo lamentou ainda que o BC tenha vendido as empresas do grupo pelo valor patrimonial, sendo que na época empresas como Inpacel e a Seguradora Bamerindus teriam um ágio na venda. O ex-controlador lamenta ainda que nunca teve acesso aos documentos de avaliação do patrimônio do Bamerindus, o que ele classifica como abuso de autoridade. Se não há nada para esconder como alega o BC, por que se negam a liberar os documentos?, perguntou.
O advogado de José Eduardo, Roberto Bertholdo, pretende encaminhar a documentação que será liberada pelo BC à CPI do Proer. O depoimento de José Eduardo está marcado para a próxima quarta-feira, mas pode ser prorrogado, para dar tempo de ser melhor analisado. Bertholdo espera que o BC não crie obstáculos em cumprir a decisão judicial que determina a liberação dos documentos.
De posse desses documentos, Bertholdo disse que será possível contestar os valores utilizados na venda do banco, que ficaram abaixo dos preços de mercado na época. Só o banco Bamerindus foi vendido ao HSBC por R$ 390 milhões e a Inpacel, por R$ 10 milhões, disse o advogado.
O interventor do Bamerindus, Sergio Prates, disse que precisa ter conhecimento da decisão da Justiça para saber quais os documentos que devem ser liberados. Ele disse que não tem a intenção de obstruir o pedido da Justiça e que só vai recorrer a um prazo maior se os documentos solicitados forem muito difíceis de serem localizados.


