Justiça condena empresária de Curitiba por crime financeiro
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segunda-feira, 17 de junho de 2002
Vânia Casado<BR>Equipe da Folha 
Curitiba A empresária Cristiane Canet Mocellin, sócia-proprietária da Corretora Fortuna de Câmbio e Valores Mobiliários, de Curitiba, foi condenada a quatro anos de reclusão pela prática de crimes contra o sistema financeiro e tributário. A pena imposta pelo juiz federal Marcelo Malucelli, da 1ª Vara Criminal, prevê ainda o pagamento de uma multa que totaliza 1.100 salários mínimos (R$ 220 mil).
Além da empresária, foram condenados ainda Evaldo Darcy Ehlke, sócio da empresária na corretora, e o funcionário Sérgio Luiz Frizzo. Evaldo teve a mesma pena que Cristiane e Sérgio foi condenado a dois anos de reclusão e o pagamento de multa no valor de 100 salários mínimos (R$ 20 mil).
Na sentença, o juiz substitui as penas máximas à prestação de serviços à comunidade e prestação pecuniária, fixada em 150 salários mínimos (R$ 30 mil) durante o período de pena, por serem considerados primários. Tanto os réus como o Ministério Público Federal já estão recorrendo da sentença junto ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, em Porto Alegre. O Ministério Público considerou a pena muito branda e por isso está recorrendo para ampliá-la.
O caso da Corretora Fortuna veio à tona no ano 2000, quando os auditores do Banco Central (BC) estavam investigando o processo que resultou na intervenção do Consórcio Garibaldi. Na época, os auditores encontraram cheques do consórcio em favor da Corretora Fortuna, a título de sorteio de bens. Na investigação, os auditores constataram que a corretora operava com dólares no mercado paralelo, sem contabilizar nenhuma operação - o que caracterizava caixa-dois.
A corretora tinha autorização do BC para operar com câmbio no mercado paralelo, mas não havia recolhimento de tributos incidentes na operação. O BC estima que desde 1984, quando a Corretora Fortuna foi aberta, foram movimentados US$ 5,33 milhões. O Ministério Público calcula que esse valor corrigido atinja R$ 19 milhões atualmente.
A empresária Cristiane Mocellin não quis falar à Folha. Foi contactada por duas vezes, mas não deu resposta.


