O juiz da 5 Vara Cível de Londrina, Alberto Júnior Veloso, recebeu ontem à tarde uma carta precatória da 10 Vara Cível do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, para que seja colocada em indisponibilidade a Fazenda Moema, no distrito de Lerroville, pertencente ao Grupo Boi Gordo S/A. Segundo o advogado londrinense Cláudio César Machado Moreno - que acompanha o cumprimento da decisão - a propriedade tem cerca de 8,5 milhões de metros quadrados. O cumprimento da precatória deve ocorrer hoje de manhã.

O bloqueio da Fazenda Moema faz parte da decisão do juiz Joaquim José dos Santos, que decretou o arresto dos bens das sociedades do grupo Boi Gordo e de seus principais diretores, além do sequestro de 40 mil cabeças de gado. Santos deferiu o pedido feito em uma liminar de arresto, protocolada pela Associação dos Parceiros e Credores da Boi Gordo (Apcbg), com sede em São Paulo. A sentença foi proferida no dia seis. De acordo com a entidade, o rebanho é Nelore de alta linhagem e se encontra em diversas propriedades em São Paulo, Londrina, Cáceres, Cuiabá e Comodoro (MT).

A Boi Gordo entrou em concordata em outubro, mas a decisão foi suspensa pelo TJ de Mato Grosso, após a análise de um mandado de segurança impetrado por dois associados da Apcbg. O entendimento é que o processo de concordata deveria tramitar em São Paulo e não na Comarca de Comodoro, para não prejudicar os credores. Em seu despacho, Santos observou que as demais sociedades da empresa sempre agiram ''com manifesto abuso de direito'', fazendo restruturações societárias com o intuito de violar as restrições impostas pela Comissão de Valores Mobiliários. Segundo ele a Boi Gordo S/A emprestou recursos à Boi Gordo Ltda para a aquisição de gado bovino, ''o que demonstra conluio para lesar credores''.

Em São Paulo, o secretário-executivo da Apcbg, Miguel Diez Gandullo, destacou a importância da decisão judicial abranger as demais empresas do grupo. ''Ficamos muito revoltados porque houve a concordata este ano mas o resto das empresas coligadas foram esquecidas. Nosso medo é que a Boi Gordo fique completamente esvaziada'', comentou. Segundo ele os diretores da Boi Gordo S/A emprestaram R$ 77 milhões paraa Boi Gordo Ltda comprar gado. ''Houve esse empréstimo e não temos indicação de que o gado tenha sido comprado, nosso medo é que haja essa manobra e quando a concordata for cumprida não haja o que tirar de lá'', comentou.

''Espero que essa decisão nos traga um pouco de justiça'', afirmou um associado londrinense da Apcbg, que não quis se indentificar. Ele justificou o anonimato dizendo que o presidente da Boi Gordo, Paulo de Andrade, não usa ''métodos convencionais'' para se retratar e procura ''constranger os credores''. Outro associado que esteve no Fórum de Londrina e também preferiu o anonimato disse que a Boi Gordo acumula uma dívida de R$ 800 milhões. Somente os primeiros 400 associados da Apcbg teriam um crédito em torno de R$ 80 milhões. O representante da Boi Gordo no Paraná, Adriano Lunardon, não foi encontrado pela reportagem.

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