Araçatuba - A Justiça de São Paulo concedeu liminares que autorizam pelo menos três frigoríficos do Estado a abater gado proveniente do Mato Grosso do Sul. O ingresso desses animais para abate em São Paulo estava restrito a apenas a 17 frigoríficos, mas decisões da Justiça em Jales e em Fernandópolis liberaram outros três frigoríficos da região.
No entendimento da Defesa Agropecuária, a resolução da Secretaria da Agricultura que libera a entrada de gado vivo em São Paulo autorizava o recebimento somente para indústrias que possuem unidades de graxarias e de desossas anexadas em suas instalações. Mas a Justiça entendeu que isso não é necessário e liberou os frigoríficos que entregam os ossos e subprodutos dos abates para graxarias instaladas a quilômetros de distância, desde que transportados dentro das normas de biossegurança.
No caso do Frigorífico Mozaquatro, de Fernandópolis, a liminar livrou mais de 500 trabalhadores do desemprego. ''Eles estavam em férias coletivas e seriam dispensados, mas agora, com a entrada do gado do Mato Grosso do Sul, o setor de produção voltou a funcionar e tivemos de chamá-los de volta ao trabalho'', explicou o gerente administrativo, José Wenceslau Carbone.
Segundo ele, o frigorífico voltou a abater 700 cabeças/dia. Os subprodutos dos abates estão sendo levados para uma graxaria a 8 quilômetros de distância. ''Os subprodutos são lacrados dentro de caminhões que são higienizados para evitar o contato com o exterior'', diz Carbone.
No entanto, segundo ele, a crise não acabou. O Mozaquatro, que exporta 80% de sua produção, precisaria ainda receber R$ 1 milhão retido em impostos para se manter sem problemas financeiros. Outro frigorífico beneficiado com as liminares é o Frigoestrela, de Estrela D'Oeste. O diretor geral da empresa, Pedro Miranda, explicou que menos da metade dos 1,7 mil funcionários colocados em férias coletivas foram chamados de volta ao trabalho.
De acordo com Miranda, o frigorífico não recontratou nenhum dos 362 demitidos por causa da crise da aftosa, que paralisou o setor de produção. ''O abate só voltou por conta dessa liminar, senão a empresa estaria parada até hoje'', diz. Segundo ele, os subprodutos animais estão sendo levados a cerca de 20 quilômetros de distância do setor de produção.

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