A acusação de fraude na venda de um carneiro Suffolk ‘‘Grande Campeão’’, ocorrido na Exposição Internacional de Esteio, em outubro de 92, teve causa ganha na Justiça de Porto Alegre. A juiza Marilena Mello Gonçalves, da 2ª Vara, condenou o vendedor do carneiro, o paranaense Constantino Christófis, de São José dos Pinhais , a pagar o valor da indenização que soma R$ 30 mil. Christófis vai recorrer da decisão e afirmou, por meio de seu advogado Luiz Renato Crovador, que está sendo coagido com informações inverídicas que estão sendo divulgadas.
Conforme o relato do criador Kassem Mohamad Jomaa, proprietário da Cabanha Oriente, de Santa Vitória do Palmar, ele comprou o carneiro Suffolk Apolo 71 em setembro de 92, por US$ 7 mil. Como o pagamento foi à vista, a transação ficou por US$ 5,5 mil. Pouco mais de um mês, descobriu que foi ludibriado ao participar da 66ª Expo-Feira de Pelotas. O animal classificado como grande campeão na exposição internacional de Esteio amargou um terceiro lugar em Pelotas.
Os juízes da exposição, técnicos e outros criadores constataram que o animal estava ‘‘desbotando’’. Ou seja, a cor preta da cabeça e das patas, característica racial do Suffolk, estava se apagando, revelando uma cor cinza. Para piorar, o cabanheiro descobriu que o animal, pelo qual havia pago o preço recorde da raça, tinha hérnia no umbigo. Quatro meses depois o animal morreu de mal súbito, mas não foi feita a autópsia.
Diante do prejuízo, Kassen entrou na Justiça. O laudo pericial do Instituto de Criminalistica do Rio Grande do Sul, assinado por Dr. Lauro Lauri Militão concluiu que os pêlos retirados da cabeça do animal apresentavam vestígios de corantes à base de cromo, que segundo o perito, comprovam o tingimento. Além da indenização, o criador quer ser ressarcido por danos morais porque depois desse episódio teve que fechar a cabanha. Isso porque ficou conhecido na região por ter ovelhas pintadas. Com a falta de credibilidade, liquidou animais P.O. que valiam R$ 1.500,00 por R$ 150,00. Mudou até o nome da propriedade e atualmente faz apenas recria de gado.
O criador de São José dos Pinhais, Constantino Christófis, que vendeu o animal, se defendeu da acusação. Através do advogado, disse que está sendo vítima de uma calúnia e acusa Kassan de não ter tratado do animal corretamente depois de efetuada a compra. Argumentou que a fiscalização da exposição de Esteio é rigorosa e teria detectado qualquer tipo de anormalidade se ela realmente tivesse acontecido.
Suspeita ‘‘Como ele não tratou o animal corretamente como se exige de um grande campeão e três meses depois não ganhou o título maior, se voltou contra o meu cliente’’, afirmou o advogado. Crovador foi além e disse que suspeita das condições em que morreu o animal, que não tem um laudo comprovando a ‘‘causa mortis’’.
Para o zootecnista, Wander de Souza, que foi o diretor técnico da Feira do Paraná este ano, preparativos como tosquia e ‘‘toillete’’ são comuns nos animais que vão a leilão. Normalmente os animais vêm sujos e com os pêlos compridos das fazendas e nas exposições são submetidos a uma sessão de perfumaria. ‘‘ O máximo permitido são ceras lustrosas’’, disse Souza.

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