Carmem Murara
De Curitiba
O juiz da 1ª Vara Criminal de Curitiba, Marcelo Malucelli, marcou para o dia 21 de fevereiro de 2000 o interrogatório dos donos da Fortuna Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários, Cristiane Mocelin e Evaldo Darcy Ehlke. Os dois e mais o ex-funcionário Sérgio Luiz Frizzo são acusados pelo Ministério Público Federal de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, entre eles, sonegação fiscal de pouco mais de R$ 19 milhões (valor com juros e multas). A denúncia da Procuradoria Geral da República foi recebida pelo juiz no último dia 25 de novembro.
‘‘Havendo indícios da autoria e materialidade recebo a denúncia’’, diz o juiz, em seu parecer. Ele pediu para que o Banco Central seja comunicado das investigações que pesam contra a corretora curitibana. Foi o Banco Central que pediu ao Ministério Público uma análise mais profuda das transações e operações financeiras feitas pela Fortuna.
Segundo o parecer do procurador da República, Nazareno Jorgealem Wolff, os donos da Fortuna utilizaram documentação de empresa fantasma para movimentar somas de dinheiro sem pagar imposto. Eles teriam utilizado a documentação da empresa ‘‘laranja’’ Porto Seguro Comércio de Óleos Vegetais Ltda, que estava em nome do comerciante Jorge Luiz de Oliveira e do vigilante Genivaldo Pereira de Oliveira. O operador de câmbio da Fortuna, Sérgio Frizzo, teria assumido a identidade da empresa, ficando responsável pelas operações.
O passo seguinte do grupo teria sido a abertura de uma conta corrente no Banestado em nome da Porto Seguro. ‘‘Boa parte dos negócios da corretora passaram a ser realizados com a utilização desta conta’’, diz o procurador. Wolff afirma ainda que ‘‘a vasta clientela formada por empresas e pessoas de altos níveis sociais de Curitiba comprava e vendia moeda estrangeira na Fortuna’’.
Outra ‘‘transação ilícita’’ apontada pelo procurador foi o recebimento de depósitos de R$ 157.338,47 desviados dos grupos de cotistas do consórcio nacional Garibaldi, liquidado extrajudicialmente.
Em seu parecer, o procurador diz ainda que os lucros das operações eram divididos entre Cristiane e Evaldo todos os meses, enquanto Frizzo recebia uma remuneração. Pela conta passaram US$ 5.332.577,06, mas a receita foi omitida de sua escrituração.

mockup