Juros tumultuaram mercado de carro
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segunda-feira, 10 de novembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Arquivo FolhaCaos no mercadoPrevisão das concessionárias é retomar normalidade a partir desta semana; consumidor deve mais que nunca pesquisar as taxas de jurosNesta semana, o mercado de carros pretende retomar o ritmo normal dos negócios, paralisados na semama passada por conta da escalada dos juros na esteira da crise que abalou as Bolsas de Valores em todo o mundo. A expectativa de que as taxas cobradas no financiamento bancário e no leasing dobrariam afugentou boa parte dos consumidores, que decidiram adiar a compra.
Além disso, várias empresas definiram suas taxas apenas nos últimos dias. E houve de tudo nos bancos das montadoras. Na
Ford e na Fiat, ocorreu alta das taxas de juro; na GM, houve redução; e, na Volkswagen, as taxas permaneceram inalteradas.
Na Ford, a taxa mensal cobrada no leasing e no factoring subiu de 2,89% para 4,50%, para prazo de pagamento de até 36 meses. Nos pós-fixados, a taxa avançou de 1,69% para 1,99%, mais a variação cambial. Na Fiat, o juro cobrado no financiamento subiu de 2,89% para 3,80% para prazo de 24 meses. A empresa está operando o leasing apenas com taxa pós-fixada. Nesse caso, o juro é de 1,65% mais a variação cambial.
Na General Motors, a taxa cobrada no leasing caiu de 3,89% para 2,89% para prazo de pagamento de 24 meses. Na operação pós-fixada, a GM está cobrando taxa de 2,19% mais a variação cambial, com prazo de pagamento de 24 a 36 meses. A montadora está financiando a compra de carro apenas por meio de leasing. Na semana passada, ela decidiu suspender o financiamento bancário ainda por conta das indefinições no mercado financeiro.
Na Volks, no leasing e no financiamento, o juro é de 2,90%, em até 24 meses, e de 3,05%, em até 36 meses.
ConsórcioA alta do juro nos financiamentos de carro tornou a opção pelo consórcio mais vantajosa financeiramente. Isso porque a taxa de juro efetiva embutida no valor das prestações dos consórcios com prazo de 60 meses está variando de 0,49% a 0,55% ao mês, enquanto nos financiamentos oscilam entre 2,60% e 7% ao mês, calcula o matemático José Dutra Vieira Sobrinho.
A opção pelo consórcio poderá ser um excelente ou um mau negócio, dependendo da época de retirada do carro. Financeiramente, afirma Vieira Sobrinho, a retirada do veículo no início do grupo é mais vantajosa, porque o consorciado poderá dispor do bem de imediato.
Em contrapartida, se vier a receber o veículo no fim do grupo, o consorciado terá feito um péssimo negócio, avalia. Isso porque, no caso de quem entra em um grupo de 60 meses para a compra de um automóvel de R$ 15 mil, com taxa de administração de 12% e fundo de reserva de 3%, no fim do prazo terá desembolsado R$ 17.250,00 ou 60 parcelas de R$ 287,50.
Se tivesse depositado o valor da prestação na caderneta, com ganho de 1% ao mês, no fim dos 60 meses o consorciado teria R$ 23.715,00 ou lucro de 58,1% sobre o preço de tabela do carro. Embora a caderneta, hoje, pague na faixa de 2% ao mês, foi considerado rendimento de 1%, porque o prazo é longo e a remuneração da poupança pode vir a acomodar-se nesses níveis.


