Juros têm 'tirado sono' do setor industrial
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sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A inflação e a alta dos juros têm ''tirado o sono'' do setor industrial no Brasil. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, disse ontem em Curitiba que ''o problema da política monetária é sempre a dosagem''. ''Se exagerarmos na dose, podemos matar o doente, o que significa abortar o ciclo de crescimento que a economia brasileira vem tendo'', afirmou. Ele criticou o aumento dos juros por parte do Banco Central e acredita que essa medida terá efeitos sobre a economia e também provocará um crescimento menor da indústria em 2009. ''Vamos torcer para que o governo calibre essas medidas de forma adequada'', disse.
Monteiro Neto lembrou que, apesar da redução da inflação no atacado e no varejo, a pressão inflacionária ainda está presente. ''Queremos que esse surto inflacionário seja debelado no prazo mais curto possível'', disse. Ele acredita que isso seja possível porque os preços das commodities como petróleo e alimentos, já estão cedendo. ''Os movimentos de elevação de preços sempre são muito mais rápidos que os de redução'', destacou.
Apesar da alta dos juros e da pressão inflacionária, ele prevê que o setor industrial tenha um crescimento de 5,5% a 6% neste ano, acima do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).
Apesar da política monetária, a indústria tem apresentado bons resultados de produção e geração de empregos. Para ele, o bom desempenho do setor industrial está apoiado no cenário econômico que combina elevação de renda, do consumo das famílias, aumento da taxa de investimentos e expansão do crédito.
No entanto, ele disse ter confiança na economia brasileira porque a indústria está investindo e tem ganhos de produtividade expressivos.
Licença-maternidade
O presidente da CNI classificou como ''generosa'' a intenção dos legisladores de estender a licença-maternidade de quatro para seis meses. Mas, destacou que isso tem um custo alto para o conjunto da sociedade. Isso porque, para estender esse período, as empresas vão deduzir isso do pagamento dos tributos, ou seja, haveria renúncia fiscal.
''No estágio que a sociedade se encontra e com todas as outras carências que temos, será que essa medida reveste-se de um caráter de prioridade?'', questionou.
Ele esteve ontem na Capital onde visitou as instalações da Olimpíada do Conhecimento, maior torneio de educação profissional das Américas, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), com apoio do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). O evento acontece até domingo na Universidade Positivo.


