Agência Folha
O Banco Central anunciou que a partir de hoje os juros básicos da economia serão reduzidos de 23,5% para 22% anuais, na oitava queda de juros desde a desvalorização do real, em janeiro passado. O presidente do BC, Armínio Fraga, usou hoje o ‘‘viés de baixa’’, mecanismo que permite que ele baixe os juros a seu exclusivo critério, sem esperar pela próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC), marcada para 23 de junho.
O diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, disse que a nova queda se deve a três fatores: inflação sob controle, resultados favoráveis no déficit público e normalidade no fluxo de capitais estrangeiros ao país. Desde a desvalorização do real, o controle da inflação é o principal alvo da política de juros do BC. Quando Fraga assumiu, em março, o Copom chegou a elevar os juros a 45% anuais, devido a pressões inflacionárias.
O BC anunciou baixa dos juros hoje definindo uma nova meta para a taxa Selic. Essa é uma taxa usada em operações garantidas por títulos públicos entre o BC e os bancos. A Selic influencia os juros de toda a economia. Figueiredo disse, entretanto, que os juros cobrados pelos bancos de seus clientes só deve ter queda proporcional à da taxa básica quando a economia estiver mais estável e forem reduzidos os encargos sobre os bancos.
A queda da meta da Selic ocorreu um dia depois de Figueiredo dizer em uma conferência telefônica que uma eventual pressão inflacionária em junho não justificaria nenhuma mudança no viés de baixa.
Em junho é esperada maior pressão nos índices de inflação por causa de reajustes de tarifas públicas autorizadas pelo governo, como telefones e energia elétrica. ‘‘Nossa preocupação não é com a inflação em um mês ou um determinado índice, e sim com a tendência da inflação no médio e no longo prazo’’, disse Figueiredo.
Figueiredo disse que o BC não está preocupado com a possibilidade de um aumento de juros nos Estados Unidos. ‘‘A economia norte-americana está indo bem.’’ Os Estados Unidos registraram em maio inflação no atacado acima da esperada. Isso fez o Fed (banco central dos EUA) acender seu sinal de alerta, sinalizando que poderá aumentar os juros. Na próxima sexta-feira será divulgado um importante índice de preços de atacado dos Estados Unidos.
Analistas de mercado acreditam que uma eventual alta dos juros norte-americanos poderá retirar capitais estrangeiros do Brasil e dirigi-los aos Estados Unidos.
Para Figueiredo, porém, se houver um ajuste de juros nos EUA, ele não deverá ser grande a ponto de prejudicar o fluxo de capitais ao Brasil. ‘‘O que se fala é na possibilidade de um ajuste fino, não em uma coisa brutal.’’
Ele reconheceu, entretanto, que um ajuste mais forte que o esperado nas taxas norte-americanas poderá reduzir o fluxo de capitais ao Brasil. ‘‘Mas hoje o impacto no Brasil seria bem menor, pois nossa economia é menos frágil.’’

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