A cada dia que passa e a Argentina arrasta suas indefinições a percepção do cenário brasileiro também vai se deteriorando junto aos investidores, avaliam analistas. Os boatos ganham espaço: ‘‘default’’, ‘‘queda de Cavallo’’, para falar os mais citados. O dólar mantém escalada de alta, os operadores ficam esperando nova intervenção do BC no câmbio – que não vem –, o BC silencia e o nervosismo aumenta.
Os juros só recuaram um pouco ontem à tarde por causa de compras de bradies no mercado internacional de dívida externa. A projeção de juros do contrato de DI futuro para outubro, o mais negociado na BM&F, chegou a 24,21% no pior momento do dia, mas recuou para 22,60% no fechamento. Com o nervosismo de ontem, o juro projetado pelo DI outubro acabou encerrando o dia em 22,60% ao ano (depois de atingir máxima de 24,21%), ante 22,25% do fechamento anterior.
Hoje, há mais motivos para estresse: antes das 10 horas, o mercado já terá o novo IPC da Fipe (terceira quadrissemana) e ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual a Selic foi elevada em 0,50 ponto porcentual. Novamente as preocupações com a inflação virão à tona e poderão reacender a alta dos juros.
O ‘‘filé mignon’’ virá à tarde: o depoimento do senador Antonio Carlos Magalhães frente à Comissão de Ética do Senado, sobre a quebra do sigilo da votação que cassou o ex-senador Luiz Estevão. Diante das surpresas que aconteceram nos últimos dias, culminando com a confissão de violação do sigilo por parte do senador José Roberto Arruda e seu desligamento do PSDB, o mercado não esconde sua ansiedade.

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