Brasília - As taxas de juros do crédito pessoal e financiamento de veículos subiram no início de dezembro, segundo dados do Banco Central (BC) coletados até o último dia 9. A tendência de alta é mantida porque o governo quer inibir o consumo para evitar a explosão inflacionária. Para reduzir a demanda - e evitar alta dos preços - o governo pretente também reduzir os prazos de financiamentos de bens como eletrodomésticos.
De acordo com o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, ainda é cedo para saber se a alta está relacionada às medidas anunciadas pelo governo no início do mês para reduzir prazos e recursos para o crédito. A alta de juros se deu, no entanto, justamente nas linhas que foram alvo das medidas.
A taxa média do crédito pessoal, incluindo empréstimos consignados, subiu de 42,0% para 43,2% ao ano, puxada pelo aumento de 0,8 ponto percentual no ''spread'' bancário, parcela da taxa que embute riscos, custos e o ganho dos bancos.
Nos financiamentos de veículos, passou de 22,8% para 23,0% ao ano, apesar da estabilidade no ''spread''. As taxas médias para pessoas físicas e empresas ficaram praticamente estáveis no período, apesar da queda no ''spread''.
Segundo o BC, isso significa que houve aumento de 0,4 ponto percentual no custo de captação dos bancos. Em novembro, o custo já havia subido 0,4 ponto, devido à expectativa de elevação da taxa básica de juros em 2011.
As operações de crédito cresceram 2,1% no início de dezembro, praticamente no mesmo ritmo verificado em novembro, devido ao efeito sazonal das atividades e compras de fim de ano.
Novembro
A taxa média de juros para pessoas físicas recuou em novembro para 39,1% ao ano, menor patamar da série iniciada pelo Banco Central em julho de 1994.
Houve redução das taxas em linhas como financiamento de veículos e outros bens e crédito pessoal. O juro do cheque especial, por outro lado, subiu de 163,6% para 169,4% ao ano, maior desde janeiro de 2009.
A queda na taxa média foi puxada pela redução de 1,7 ponto percentual no ''spread''. A inadimplência recuou para 5,9% no mês passado.
A taxa média para as empresas caiu para 28,6%, enquanto a taxa média geral (PF+PJ) recuou para 34,8% ao ano. A inadimplência para pessoa jurídica subiu para 3,6%, enquanto a taxa geral ficou estável em 4,7%.

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