Juros só baixam após queda da inflação
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terça-feira, 27 de maio de 2003
Agência Estado 
Brasília- A inflação tem de cair para que os juros possam ser reduzidos de forma consistente. Esse foi o recado do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, dado de forma bastante taxativa, ontem, durante solenidade de transmissão de cargo do novo diretor de Liquidações e Desestatização do BC, Gustavo Matos do Vale. Depois de um rápido agradecimento a Carlos Eduardo de Freitas, que deixa o cargo, e das boas vindas ao novo diretor, o presidente do BC sugeriu aos que reclamam dos juros altos que se preocupem também com a inflação.
''Aqueles observadores da cena nacional que legitimamente se preocupam com a taxa de juros deveriam se preocupar com a inflação e com a estrutura da formação de preços no Brasil'', afirmou. ''É aqui que se decidirá a batalha da inflação. E é aqui, portanto, que se decidirá também a batalha da redução da taxa de juros que todos - inclusive nós do Banco Central - esperam.''
Meirelles destacou ainda que o BC vem fazendo um grande esforço para controlar a inflação e que ''o principal remédio'' empregado no mundo todo em defesa da moeda é a taxa de juros.
A mensagem foi interpretada pelos presentes como um claro recado de que não adianta pressionar o BC porque a decisão sobre a trajetória da taxa de juros será técnica e não política. Para o consultor José Luiz Rodrigues, o presidente se antecipou às pressões que devem aumentar na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do BC (Copom) marcada para os dias 17 e 18 de junho. ''Ele se antecipou e aproveitou para esclarecer a postura do BC e dizer que o BC não cederá a pressões'', afirmou.
Para Hélio Duarte, diretor da Federação das Associações de Bancos (Febraban), as declarações de Meirelles não são um indicativo de que os juros deverão permanecer elevados por mais um tempo. ''Os índices recentes mostram que a inflação está caindo. O BC até poderia ter dado o primeiro passo na redução dos juros na reunião de maio e não o fez por causa das pressões políticas'', defende. ''Ele apenas quis reiterar o compromisso do BC com controle da inflação, como vem fazendo sempre.'' Para ele, ''essa redução represada'' se concretizará na reunião de junho. ''Essa é tanta que qualquer redução de 0,5 ponto vai contaminar de forma positiva todos os mercados'', aposta.
Durante a solenidade, o presidente do BC disse ainda que a decisão de não fixar um porcentual para renovação da dívida cambial faz parte de uma estratégia de longo prazo do BC para diminuir a participação de títulos atrelados ao câmbio na dívida pública.
Ele frisou que o BC ''não tem adotado - e não adotará - atitudes abruptas e manterá a serenidade e a firmeza que têm caracterizado sua atuação na condução da política monetária e cambial''.


