Juros serão negativos até junho
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de março de 1999
Vânia Casado 
Com o retorno da inflação e a previsão de que ela fique em 16,8% este ano, conforme acordo com o FMI, os juros do crédito rural e do Pronaf já estão negativos, e essa diferença deverá se agravar até junho, período que se encerra o Plano de Safra que fixou os juros do crédito rural em 8,75% ao ano e do Pronaf em 5,75% ao ano. A partir dessa data, o comportamento da economia vai ditar as taxas de juros que serão praticadas, disse ontem o diretor de Crédito Rural do BB, Ricardo Conceição. Ele não soube dizer se os juros para a agricultura vão aumentar. Ocorre que o Tesouro Nacional está desembolsando R$ 500 milhões só com a equalização dos juros para o banco, desde julho do ano passado.
Apesar dos juros negativos, Conceição disse que o BB poderá aplicar até R$ 900 milhões para amparar a comercialização da safra 98/99 e o plantio da safra de inverno. Em março e abril, junto com outros bancos da iniciativa privada, o BB pretende aplicar R$ 200 milhões no setor. Para o milho safrinha, deverão ser destinados R$ 100 mi no custeio e mais R$ 50 mi no custeio do trigo.
Conceição aconselhou aos produtores a fazerem uma reserva de recursos, com os resultados da colheita, para pagar a securitização que vence em outubro. Ele não descartou a possibilidade de o Tesouro permitir uma liquidação antecipada da securitização, com um deságio, para aproveitar o bom momento da comercialização.
O diretor do BB admitiu que o banco não está aplicando o total dos recursos previstos pelo governo federal, que era de R$ 7,5 bilhões para o financiamento total da safra 98/99. Disse que até agora o banco já aplicou R$ 5, bilhões e pode chegar a R$ 6 bilhões ou um pouco mais até o final da safra. A parcela que não foi atingida refere-se à suspensão dos financiamentos com recursos externos, que tinham como fonte a 63 caipira. Com a desvalorização, o mercado reconhece o acerto da medida adotada pelo BB,que se fosse adotada estaria penalizando os produtores tomadores da linha de crédito, justificou.


