Juros reais são 'contraproducentes', afirma Lessa
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quarta-feira, 05 de novembro de 2003
Alaor Barbosa<br> Agência Estado 
Rio Juros reais (acima da inflação) de 12% a 13% ao ano, como estão sendo registrados no Brasil, são ''contraproducentes'' na visão do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa. Em palestra no Clube de Engenharia, no Rio, Lessa disse esperar que os juros caiam para ''pelo menos um dígito'' (abaixo de 10% ao ano), a curto prazo. ''É preciso lembrar que, com juros reais de 8,5% ao ano, a dívida pública pára de crescer por pressão dos próprios juros, como ocorre atualmente. Se o juro real não cair, a conta não fecha, já que o custo dos juros compromete o Tesouro'', observou.
Lessa é de opinião que o custo financeiro contribui para elevação da inflação, já que as empresas embutem essas despesas nos seus preços. Outro problema provocado por juros elevados é que as empresas param de investir. ''Só quem se beneficia é quem vive de juros. Mas esses não se preocupam em investir para melhorar o desenvolvimento nacional'', realçou.
Além de reduzir os juros, o governo deveria também alterar a meta quanto ao superávit fiscal, fixado em 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Na visão de Lessa, a meta atual ''é muito alta''. E ele não vê problemas em rever as metas. ''Metas são vistas e revistas'', comentou.
Segundo ele, o BNDES tem projetos de cerca de R$ 1,2 bilhão para repassar para prefeituras e governos estaduais ''que cumpriram a Lei de Responsabilidade Fiscal'', mas que estão impedidos de tomar novos créditos no banco estatal devido ao acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). ''Com isso, incentiva-se a desorganização fiscal, já que quem cumpre a legislação não tem nenhum benefício'', afirmou. ''Igualaram todo mundo pelo lado negativo.''


