Ao contrário do que ocorreu no último trimestre do ano passado, quando economistas do setor público e privado concordavam com a manutenção das taxas de juros básicos em patamares de 18% a 19%, hoje as opiniões estão divididas. Muitos defendem a redução dos juros, que estão muito altos, inibindo a atividade econômica.
Além disso, diferente do que ocorreu nos meses que sucederam os ataques terroristas de setembro, hoje a economia está menos suscetível a esses riscos. E a inflação dá sinais de que está perdendo força nestre primeiro trimestre recessivo.
Uma redução da taxa Selic - hoje em 19% ao ano -, poderia estimular a bolsa novamente. A questão é que isso não deve ocorrer tão logo.
Os índices de preços divulgados recentemente mostraram que a inflação está perdendo força, mas parece improvável que o BC corte os juros neste mês.
O IPCA de janeiro ficou em 0,52%, o que equivale a 6,42% em termos anualizados, um número ainda elevado para quem tem de cumprir uma meta de 3,5% neste ano, com tolerância de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos.
O diretor do Inter American Express, Marcelo Alain, especialista em análise da conjuntura, fez uma projeção assustadora para a taxa de juro real. Se mantiver a Selic em 19%, o Banco Central estará propondo uma taxa real entre 13,3% ao ano e 14,4% ao ano, bem próxima à de 1999, de 15,3%, ano em que houve a desvalorização do real.
Essa taxa está muito longe, é praticamente o dobro do que o presidente do BC, Armínio Fraga, considera boa, que é de 7% real, como chegou a dizer no início da sua gestão.
Na projeção montada por sua equipe, Alain tomou a taxa média da Selic no ano e a inflação média do ano para alcançar a taxa paga ao aplicador. Em 2000, essa taxa ficou em 10,8%, montada com base na Selic média de 17,14% e o IPCA médio de 5,97%. Em 2001, a Selic média foi de 17,3% e o IPCA médio de 7,67%. A taxa real média ficou em 9%.
Se a taxa de 19% for mantida, o juro real poderá alcançar 14,4% se a inflação for a projetada pelo BC, de 4%. Pela projeção do Inter American Express, de 5%, a taxa real atingiria 13,3%.
Além de o juro real alto limitar o crescimento da economia, provoca um custo muito alto para a dívida pública, diz Alain. Se a esses números for relacionada a exigência de se obter superávit primário de 3,5%, o custo financeiro sobre a dívida pública representa uma carga altíssima. Ele aconselha buscar uma referência nos 7% de juro real que Armínio Fraga um dia chegou a dizer que era a ideal.

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