Brasília - O destaque dado pelos diretores do Banco Central (BC) na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para a trajetória da taxa de juros real - descontada a inflação - reacendeu o debate sobre a limitação do BC para reduzir os juros e promover o crescimento da economia a taxas superiores a 4% ao ano.
Um estudo feito pelo ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, mostra que a margem de manobra da autoridade monetária atualmente permitirá ao Brasil crescer entre 3% e 4% por mais um ou, no máximo, dois anos. A partir daí, o País esbarrará em gargalos que, se não forem desobstruídos logo, retomarão o dilema de crescimento versus a volta da inflação e o desequilíbrio externo.
''O Brasil tem uma taxa de investimento muito baixa. Quando a economia se expande, rapidamente chega-se ao limite de produção'', argumenta Amadeo. ''O resultado é que o País passa a importar mais, desequilibrando as contas externas, ou então há pressão sobre os preços.''
Como a preocupação do BC, reiterada constantemente por seu presidente, Henrique Meirelles, e pelas principais autoridades econômicas do País, é garantir a estabilidade macroeconômica, a instituição não poderá reduzir demais os juros para não provocar um surto inflacionário.

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