Juros param de subir, aposta mercado
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de abril de 2005
Gustavo Freire<br>Agência Estado 
Brasília - O mercado financeiro chegou às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) convencido de que o ciclo de alta dos juros iniciado em setembro será encerrado nesta quarta-feira. A expectativa é de que os juros, a partir de agora, fiquem estáveis em 19,25% ao ano até agosto e depois inicie uma trajetória de queda gradual a partir de setembro. O afrouxamento da política monetária abriria espaço para a taxa fechar o ano em 17,50% e voltar, com isso, ao mesmo nível de novembro de 2003.
A expectativa de fim do ciclo de aperto monetário veio apoiada na percepção de que, hoje, a taxa real de juros está em um nível considerado elevado. Os analistas de mercado calculam que, descontada a inflação, a taxa esteja hoje rondando a casa dos 13%. O temor dos economistas é de que essa taxa real prejudique o ritmo de crescimento econômico do País.
Sintomaticamente, as projeções de expansão econômica para 2006 contidas na pesquisa semanal do BC foram reduzidas pela segunda semana consecutiva e recuaram de 3,57% para 3,55%. Apesar de estáveis, as estimativas de crescimento de 3,67% para este ano se encontram abaixo dos 4% projetados pelo próprio BC.
A pesquisa traz outra má notícia para a equipe econômica. O mercado passou a apostar que a inflação subirá não só no curto prazo, mas também no longo prazo. As expectativas de variação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses à frente, depois de caírem na semana passada, retomaram a tendência de alta e passaram dos 5,48% da pesquisa anterior para 5,58%. É uma mudança que derruba a avaliação que vinha sendo feita no Banco Central, segundo a qual a inflação estaria acima da meta no curto prazo, mas no longo prazo estaria convergindo para o nível desejado pelo governo.
As previsões de inflação para 2006 registraram piora. De acordo com os dados da pesquisa, a média das projeções de IPCA para o próximo ano subiram de 5,06% para 5,09%. Com isso, a média passou a ficar mais distante do centro da meta de 4,5% já fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o próximo ano.
As previsões de variação do IPCA para este ano aumentaram pela sétima semana consecutiva, passando de 6,04% para 6,10%. A alta veio acompanhada pela quinta revisão para cima das expectativas de reajuste dos preços administrados neste ano, que passaram dos 7,20% da pesquisa anterior para 7,30%.
Há quatro semanas, as projeções de aumentos dos preços administrados estava em 7,06%. ''O problema da inflação está hoje concentrado nos preços administrados'', disse uma analista de mercado consultado pela Agência Estado. A pressão maior sobre os administrados hoje vem dos combustíveis, que estariam, na visão de alguns analistas, com seus preços defasados em relação aos do mercado internacional.


