Juros para pessoa física subiram para 77,2%
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sexta-feira, 24 de junho de 2005
Vânia Cristino e Renata Veríssimo<br>Agência Estado 
Brasília - As taxas de juros no crédito à pessoa física subiram de 75% em abril para 77,2% em maio, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC). Uma das razões para a alta, segundo informou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, foi o Dia das Mães. Para comprar os presentes, mais pessoas tomaram empréstimos em linhas de crédito mais caras. A taxa média para pessoas físicas, porém, estaria perto de 100% ao ano se não fossem os empréstimos com desconto em folha, ou consignados, que são mais baratos.
As pessoas físicas estão se endividando mais, mostram os dados do BC. Em maio, o total de empréstimos tomados por elas chegou a R$ 134,4 bilhões, um aumento de 3,5% sobre abril. Em 12 meses, a elevação do volume de empréstimos já chega a 36,8%. Ainda assim, a taxa de inadimplência apresentou queda, de 12,8% em abril para 12,5% em maio.
No global, considerando pessoas físicas e jurídicas, o total de créditos na economia brasileira chegou a R$ 302,4 bilhões, um incremento de 1% sobre o mês de abril. Em 12 meses, o aumento do total de créditos concedidos pelos bancos chega a 21,8%.
As taxas de juros para pessoas físicas poderiam estar ainda mais altas do que os 77,2% registrados em maio, se não fosse o efeito dos empréstimos consignados.
Segundo Altamir Lopes essas linhas de crédito vêm forçando os juros para um nível mais baixo. São linhas mais baratas porque o risco de ''calote'' nessa modalidade é baixo. As taxas de juros estão em 35,6% ao ano. Por isso, elas contribuem para baixar a média do custo do crédito à pessoa física. Lopes fez as contas e chegou à conclusão que se o crédito consignado não existisse, o juro para as pessoas físicas estaria batendo em 96,8% ao ano em maio.
A liquidação do Banco Santos fez com que o BC registrasse queda no volume de empréstimos concedidos pelos bancos às pessoas jurídicas. Sozinha, esta instituição financeira tinha cerca de R$ 2 bilhões emprestados às empresas. Com a liquidação extrajudicial essas operações deixam de ser computadas pelo BC. No empréstimo para capital de giro, por exemplo, o Banco Santos tinha R$ 541 milhões aplicados. A exclusão desse montante fez com que, em maio, o volume de empréstimo para capital de giro para as empresas baixasse de R$ 43,907 bilhões para R$ 43,486 bilhões.
É também a retirada das operações do Banco Santos das estatísticas que explica a queda de 4,1% para 3,4% na inadimplência das pessoas jurídicas, uma diferença de 0,7 ponto porcentual. A taxa de juros cobrada pelos bancos às empresas bateu em 33,7% ao mês em maio e é a mais alta desde setembro de 2003.


