Juros para consumidor são os maiores desde novembro
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quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A taxa de juros média para pessoa física atingiu o maior índice desde novembro de 2012, com leve crescimento de 5,48% ao mês em julho para 5,51% em agosto. Divulgada ontem, a pesquisa de operações de crédito da Associação Nacional de Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac) aponta que apenas a linha de cartão de crédito se manteve estável, com alta nos juros do comércio, do cheque especial, dos financiamentos de automóveis, dos empréstimos financeiros em bancos e da mesma modalidade em financeiras. Conforme o estudo, o processo de elevação deve continuar até que a inflação se consolide dentro da meta do governo.
Em novembro do ano passado, a média foi de 5,63% ao mês, quando entrou em processo de queda até abril, para voltar a subir gradativamente. A flutuação se deve a decisões do Banco Central, que elevou nos últimos meses a taxa básica de juros, a Selic, até 9%, para reduzir a oferta de crédito e conter a inflação. Para o diretor executivo de estudos econômicos da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, o consumidor já sente a variação ao contratar crédito, mas o efeito é pequeno.
Oliveira reconhece que a variação não é o bastante para refletir em queda do consumo e da inflação, mas que outros fatores também influem, como o próprio peso da alta de preços no bolso do consumidor. Ele considera a alta da taxa de juros um mal necessário. "Mostra que o Banco Central não deixou de agir, o que impede novo reajuste de preço ao consumidor, mas tem limitações porque vai impedir o País de crescer, se aumentar demais", explica.
Professor de economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), José Moraes Neto lembra ainda que o aumento da Selic também elevou a remuneração da caderneta de poupança, o que incentiva o consumidor a guardar dinheiro. "São várias razões, como a taxa de empregos e a renda do trabalhador que pararam de crescer, o que faz com que as famílias prorroguem o endividamento."
No entanto, Moraes Neto critica quem diz que a inflação está alta demais. "Dizem que o índice de agosto foi maior do que o de julho, mas isso porque o de julho foi próximo de zero. Se compararem com agosto do ano passado, com junho ou maio deste ano, vão ver que foi bem menor", conta. Ele afirma que julho foi um ponto fora da curva, principalmente pelo abatimento nas tarifas de transporte. "A Selic já chegou aonde deveria chegar e não tem indicador que exija nova alta. Nem a inflação."
Somente interesses privados motivariam a alta dos juros, para o professor. "Existe pressão de parte do mercado financeiro que está com saudades da Selic em 12%, porque os papéis da dívida pública renderiam mais para outros setores", diz.
Oliveira também concorda que o governo deixará a Selic como está assim que perceber o fim da pressão inflacionária. Ele acredita em, no máximo, mais uma elevação da taxa básica. "É uma grande sinuca de bico. O PIB (Produto Interno Bruto) está crescendo pouco e se os juros subirem muito vai crescer menos ainda."
Empresas
Das três linhas de crédito para pessoas jurídicas, todas foram reajustadas em agosto. A média passou de 3,13% ao mês (44,75% ao ano) em julho para 3,16% (45,26%) em agosto. A maior diferença foi na conta garantida, que foi de 5,65% ao mês (93,39% ao ano) para 5,69% (94,27%). O aumento no custo do capital de giro foi de 1,52% mensais (19,84% anuais) para 1,54% (20,13%) e no desconto de duplicatas, de 2,23% (30,30%) para 2,24% (30,45%).



