Arquivo FolhaArmadilhaNo crediário, é preciso analisar as prestações: preço à vista pode ser bem mais vantajosoOs juros básicos da economia já caíram significativamente desde outubro (a TBC, que indica o piso, foi reduzida de 43,41% ao ano para 21%, próxima de 20,7%, nível em que estava antes da crise asiática), mas os encargos cobrados nas operações de crédito permanecem bastante elevados. As taxas estão apenas ligeiramente abaixo de onde se encontravam no fim de 1997. No crédito pessoal, por exemplo, os juros podem atingir estratosféricos 14% ao mês, ou 381,8% ao ano.
Aos poucos, no entanto, começam a surgir algumas iniciativas dos bancos para a redução de algumas taxas, como no caso do cheque especial, em que a concorrência está levando à queda dos juros. Ainda assim, o consumidor deve fazer o possível para não recorrer a essas modalidades de crédito. Além das taxas elevadas, há a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que tem alíquota de 15% ao ano.
Para ter uma idéia de como os juros encarecem a operação de empréstimo, veja o exemplo de um crédito pessoal de R$ 1 mil, com juros de 14% ao mês, em seis meses. Segundo cálculos do matemático-financeiro José Dutra Vieira Sobrinho, cada parcela sai por R$ 270,26 e a taxa efetivamente paga (incluindo o IOF) chega a 15,84% ao mês. O cliente terá pago, no fim dos seis meses, R$ 1.621,56.
As financeiras cobram taxas elevadas no crédito pessoal. Na Fininvest, os juros do crédito pessoal ficam entre 5% e 14% ao mês; na Creditec, financeira do Banco BBM, em 12%.
Já os bancos, que costumam emprestar apenas para clientes, cobram taxas menores. De acordo com pesquisa da Fundação Procon, a taxa média exigida em junho pelos grandes bancos no crédito pessoal foi de 6,18%. Tomando por base essa taxa e os dados do exemplo anterior, o cliente pagaria seis prestações de R$ 214,36 (um total de R$ 1.286,16). O juro efetivo alcançaria 7,70% ao mês.
O diretor da Creditec, Dilson Del Cima, diz que os juros no crédito pessoal são tão elevados por causa da alta inadimplência. Ele estima que a taxa média de insolvência seja de 15%.
Além da inadimplência elevada, ele lembra que o cliente só costuma recorrer ao empréstimo quando já está endividado, o que torna a concessão do crédito uma operação de maior risco. E os valores emprestados são baixos (média de R$ 600,00), tornando alto o custo de cada operação. Para Del Cima, a inadimplência poderia ser reduzida se houvesse um cadastro nacional de inadimplentes, controlado por CPFs. Desse modo, para fugir do cerco aos insolventes, basta que o consumidor faça a compra em município onde não esteja cadastrado como mau pagador. Com o cadastro nacional (e critérios mais rigorosos para a concessão de CPFs, para evitar fraudes), a inadimplência tenderia a recuar bastante e, por tabela, poderia ocorrer cortes mais significativos dos juros cobrados no crédito, conclui.
No cheque especial, as taxas médias cobradas pelos bancos estão na casa dos 10,5% ao mês. No cartão de crédito, os encargos mensais por atraso variam entre 9,30% e 12,60%. Já no leasing de veículos, as taxas prefixadas ficam entre 2,34% e 2,84% ao mês as taxas são baixas porque o carro é a garantia da operação. Outra vantagem é que não há incidência de IOF. No crédito direto ao consumidor de veículos, as taxas ficam ao redor de 3% ao mês e há cobrança do tributo.

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