Juros para consumidor ainda são altos
Apesar das sucessivas quedas dos juros básicos, as taxas cobradas pelo comércio continuam muito altas, segundo pesquisa
ArquivoJuros altosComércio não repassa para os consumidores as reduções das taxas de juros básicos determinada pelo BCAgência Folha
Os juros básicos estão em queda, mas, na ponta do crédito, as taxas continuam muito altas e não caem na mesma proporção. A conclusão é da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), que faz pesquisa sobre juros.
Em maio passado o comércio cobrava, em média, 8,58% ao mês, ou 168,53% ao ano, nas compras a prazo. Nas grandes redes a taxa média era de 7,54% ao mês. Lojas de decoração, artigos de ginástica, artigos do lar e pequenas redes praticavam juros acima de 10% ao mês.
A pesquisa da Anefac mostra também que, em maio, os juros médios dos
cartões de crédito eram de 11,92% ao mês; no cheque especial, 11,79%; no crédito direto ao consumidor dos bancos, 7,36%; no empréstimo pessoal de bancos, 6,68%; e de financeiras, 13,16% ao mês.
Para Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Anefac e
coordenador da pesquisa, o consumidor deve evitar entrar em crediário e
utilizar cartão ou cheque especial. Apesar da queda das taxas, elas
continuam proibitivas, diz ele.
Uma alternativa para quem necessita de crédito, aconselha Ribeiro, é
recorrer ao penhor de jóias e objetos da Caixa Econômica Federal, que tem taxas mais baixas, entre 3% e 4%, segundo Ribeiro. Não tendo condições de recorrer ao penhor, acrescenta o vice-presidente da Anefac, o consumidor não deve deixar a dívida crescer mais. ‘‘Procure o credor e proponha uma renegociação do prazo e da taxa de juros’’, afirma. As compras a prazo devem ser adiadas, na opinião de Ribeiro, porque os juros na ponta do crédito devem cair mais.
Os juros nos financiamentos do comércio, avalia Ribeiro, continuam
‘‘absurdamente elevados’’, e já era assim, segundo ele, antes das crises
asiática e russa.
‘‘Poucas vezes na história o comércio teve ganhos financeiros como os que está conseguindo atualmente, apesar da choradeira. O papel do
financiamento é viabilizar a venda, mas ele passou a ser o negócio
principal da loja’’, diz o vice-presidente da Anefac. Os lojistas, acrescenta Ribeiro, argumentam que cobram caro nos financiamentos para se garantirem contra os riscos da inadimplência. ‘‘Mas é justamente essa cobrança sem lógica que aumenta e dificulta a atual
crise de crédito.’’
Nos cálculos de Ribeiro, quando os juros básicos do Banco Central caíram de 27% para 23,5%, os juros cobrados em média pelo comércio deveriam ter recuado de 8,86% para 8,51% ao mês, mas ficaram em 8,58%. ‘‘Mas, ainda que toda a queda do juro básico tivesse sido repassada, os juros continuariam muito altos.’’

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