Brasília - Os juros para a pessoa física registraram em abril queda na maioria das modalidades, segundo balanço divulgado ontem pelo Banco Central. A taxa média cobrada pelos bancos da população caiu 1,2 ponto percentual, para 57,8% ao ano. Assim como no mês anterior, essa é a menor taxa desde o início da série, em julho de 1994. A maior queda ocorreu no crédito pessoal, modalidade em que as taxas recuaram de 67,8% em março para 65,3% em abril.
Dentro dessa modalidade está o crédito consignado - desconto em folha de pagamento-, cujos juros caíram de 37% para 34,3% em abril. ''A queda nos juros persiste há um bom tempo. Em linha com a descompressão da política monetária'', avaliou Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central.
Desde setembro do ano passado, a taxa básica da economia, a Selic, já caiu 4,5 pontos, para 15,25% ao ano. No entanto, a velocidade na redução das taxas na ponta, ou seja, para o consumidor, tem ocorrido em um ritmo menor.
Já a taxa do cheque especial caiu um ponto percentual, para 145,4% ao ano abril. O custo das operações para a compra de veículo caiu 0,3 ponto percentual, para 34,1% ao ano. A única elevação para o consumidor pessoa física ocorreu na taxa cobrada para a aquisição de bens (exceto veículos), que subiu 2,5 pontos percentuais, para 59,4% em abril.
Segundo Lopes, isso ocorreu devido ao aumento da inadimplência nessa modalidade. Na avaliação dele, parte das famílias estão tendo dificuldade em pagar as prestações assumidas no final do ano passado. A inadimplência entre 15 e 90 dias passou de 10% para 10,4% nessa modalidade. Acima desse período, passou de 10% para 10,8%.
O spread bancário - diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes - para essas operações passou de 44 pontos para 43 pontos em abril.
Para as empresas (pessoa jurídica), a taxa média ficou praticamente estável. Caiu de 30,7% ao ano em março para 30,6% ao ano em abril. O spread, no entanto, subiu 0,3 ponto, para 15 pontos percentuais.

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