Juros para a família caem mas taxas continuam altas
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sábado, 01 de setembro de 2012
Mie Francine Chiba <br>Reportagem Local 
A taxa média de juros cobrada das famílias chegou a 36,2% ao ano no último mês de julho, o nível mais baixo da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em 1994. Em relação a junho, houve redução de 0,3 ponto percentual. A queda destas taxas poderão ser percebidas, aos poucos, nos juros dos cartões de crédito, de financiamentos e do crédito para a aquisição da casa própria, informa a professora de Economia do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), Maria Eduvirges Marandola. Mas apesar de baixa, a taxa de juros familiar não pode ser desprezada, alertam os especialistas.
''As famílias precisam ter consciência de que, embora os juros tenham caído, ainda representam um custo. Não podem ser tratados de maneira banal'', enfatiza Maria Eduvirges. Segundo ela, as famílias precisam manter isto em mente e tentar minimizar os juros que incidem sobre o orçamento familiar.
O primeiro passo é o planejamento, ela diz. Desta forma, é possível prevenir situações em que a família, sem dinheiro, precisa recorrer ao cartão de crédito para as compras de primeira necessidade. No cartão, há um risco maior de perder o controle das compras e, no mês seguinte, precisar fazer o pagamento mínimo.
De junho para julho, a taxa de juros do cheque especial caiu 16,1 pontos percentuais, ficando em 151% ao ano, a menor da série histórica do Banco Central (BC) desde março de 2008 (149,8% ao ano). Mesmo assim, a taxa do cheque especial continua sendo uma das mais altas do mercado.
Por isso, é importante saber quanto os itens de primeira necessidade consomem da renda familiar e se programar para guardar esta quantia todo mês. O mesmo deve ser feito com os bens duráveis. Ao invés de comprar no cartão de crédito, o melhor é comprar à vista, mesmo que o vendedor insista que não há juros embutidos nas parcelas. Se a família guardar dinheiro, pode comprar à vista e com desconto. ''O desconto é um elemento importante no orçamento para ter uma reserva de dinheiro'', ressalta Maria Eduvirges.
Incentivo
Ana Paula Mussi Cherobim, coordenadora do Laboratório de Finanças Pessoais do Departamento de Administração da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que a redução da taxa de juros da família foi reflexo da iniciativa do governo, que fez os bancos públicos reduzirem suas taxas. Com a concorrência entre os bancos, os juros de outras instituições financeiras também caíram.
Outro fator que influenciou o resultado foi a queda da taxa Selic, que está a 7,5% ao ano. O terceiro fator, na visão da coordenadora, é o estímulo do governo para o consumo via crédito.


