Juros não caem para os consumidores
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de abril de 1998
Agência Estado 
Ainda que a Taxa Básica do Banco Central (TBC) tenha caído de 28% para 23,25% ao ano, na semana passada, o consumidor deve manter-se cauteloso em relação aos empréstimos e financiamentos, porque a redução dos juros não tende a chegar a esses segmentos do mercado. Desde novembro, a TBC, depois de ter saltado de 20,70% para 43,40% ao ano no fim de outubro, vem sendo reduzida; na contramão, as taxas cobradas no cheque especial, crédito pessoal, sistema rotativo do cartão de crédito e financiamento de carro vêm subindo. Apenas as taxas do crediário já estão compatíveis com as que eram cobradas em outubro. Para ter uma idéia, observe que a nova TBC de 23,25%, combinada com a de 28% em vigor até quarta-feira, equivale a uma taxa mensal de 1,73% em abril, enquanto o juro médio mensal cobrado no cartão de crédito está em 11,20%; no cheque especial, 11%; no crediário, 9,09%; no crédito pessoal, 5,89%; e no financiamento de carro, 3,61%.
O crescimento da inadimplência permanece sendo apontado como razão para que o comércio e as instituições financeiras continuem cobrando taxas proibitivas na concessão de crédito. Mas é justamente o juro salgado, aliado ao comportamento descuidado do consumidor, que contribui para o aumento do endividamento, diz Miguel José de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Quando vai assumir um financiamento, o consumidor só quer saber se o tamanho da prestação cabe em seu orçamento mensal e, assim, ignora o juro cobrado e as cláusulas contratuais e esquece que o financiamento comprometerá seu orçamento pelo tempo pelo qual foi contratado. Com isso, ele alerta, aumenta o risco de descontrole das contas.
Para Oliveira, só tende a ocorrer queda dos juros no crediário se vier a ser registrada forte redução nas vendas. Enquanto o consumidor continuar gastando, o juro não cai.
Nas demais modalidades de crédito, a queda do juro está condicionada à redução da inadimplência. Mesmo assim, as instituições financeiras continuam oferecendo facilidades para o acesso às linhas de financiamento, o que exige cuidados do consumidor. Uma das poucas restrições adotadas pelos financeiras foi a redução para oito meses do prazo de empréstimo pessoal.


