Juros não caem na ponta do consumo
Agência Estado
De São Paulo
O consumidor continua pagando taxas de juros bastante elevadas pelo uso do limite do cheque especial, pela rolagem da dívida no cartão de crédito e por outros financiamentos. Segundo o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, as instituições financeiras estão captando dinheiro a 1,60% ao mês (21% ao ano), mas cobram do consumidor as seguintes taxas médias: empréstimo pessoal das financeiras, 13,16% ao mês (340,87% ao ano); cartão de crédito, 11,92% ao mês (286,27% ao ano); cheque especial, 11,77% ao mês (280,10% ao ano); crédito direto ao consumidor nas lojas, 8,55% ao mês (167,64% ao ano); empréstimo pessoal dos bancos, 6,65% ao mês (116,64% ao ano).
Pelos dados da Anefac, nos juros ao consumidor, além do repasse do custo de captação do dinheiro, de 21% ao ano, as instituições acrescentam, em média, os seguintes porcentuais: 5,9% de impostos; 6,4% de custos administrativos; 25,7% de riscos de inadimplência; e 65,7% de lucro. É por isso que os juros ao consumidor continuam tão altos.
As instituições encontram espaço para a cobrança de juros elevados também porque o consumidor não se preocupa em avaliar o total da conta, mas apenas a conveniência do valor baixo da prestação num prazo a perder de vista. O cliente deveria perceber que o banco que paga apenas algo em torno de 0,80% ao mês para que ele deixe o dinheiro na caderneta cobrará cerca de 11,77% ao mês se ele precisar avançar no limite do cheque especial.





