Brasília- Instituições financeiras e empresas consultadas pelo Banco Central elevaram mais uma vez suas projeções para a inflação este ano e estão mais cautelosas em relação à queda da taxa de juros. De acordo com os dados divulgados ontem pelo BC, o mercado brasileiro acredita que o IPCA - índice que baliza o sistema de metas de inflação - acumulará este ano uma alta de 7,05%, acima do centro da meta definida para o período. A preocupação com a inflação reforça a tese dos analistas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deverá manter, pelos próximos dois meses, a taxa básica de juros, a Selic, em 16% ao ano. No levantamento da semana passada, as instituições consultadas apostavam que o IPCA acumularia este ano uma alta de 7%.
A elevação para 7,05% foi a nona consecutiva e reflete o comportamento do IPCA em junho, que registrou uma alta de 0,71%, acima das expectativas. O aumento na projeção de inflação para o ano também está refletido nas estimativas de curto prazo. Essa perspectiva de uma inflação em alta acaba por reforçar a posição pessimista dos analistas em relação às decisões do Copom. As instituições consultadas apostam que o Comitê manterá a Selic nos atuais 16% ao ano tanto na reunião de julho, quanto na de agosto. Para dezembro, as projeções feitas indicam que a taxa básica de juros poderá estar em 15,25%, pouco acima dos 15,13% indicados até semana passada.
Em termos de crescimento econômico, a estimativa para o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2004 sofreu uma pequena alteração, passando de uma taxa de 3,5% para 3,52%.
A única projeção de inflação que sofreu queda foi a relativa ao comportamento do IPCA para os próximos 12 meses, que caiu de 6,48% para 6,26%. Entretanto, essa queda reflete apenas um efeito estatístico. Até semana passada, o período analisado era de junho de 2004 a maio de 2005. Agora, o período analisado foi de julho de 2004 a junho de 2005. Tira-se, portanto, um mês de inflação relativamente alta (0,71%) e inclui um outro período cuja a inflação esperada é menor, já que para o ano de 2005 como um todo, os analistas mantém a aposta de que o IPCA acumulará uma variação de 5,5%.
Se por um lado existe a preocupação com uma inflação em alta, pelo lado das contas externas as projeções são bem mais otimistas. As instituições consultadas acreditam que o Brasil deverá fechar o ano com um superávit em suas transações correntes de US$ 5,69 bilhões, acima dos US$ 4,6 bilhões estimados no último levantamento. Em termos comerciais, as apostas continuam sendo de que em 2004 a balança comercial acumule um saldo positivo de US$ 28 bilhões. Para 2005, os cálculos apontam para um superávit de US$ 24,55 bilhões, acima portanto dos US$ 23,95 bilhões estimados anteriormente.

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