Curitiba - As taxas de juros para compra de carros novos devem ter um aumento de até 25% por conta da crise norte-americana. O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, disse que o custo de captação das financiadoras e dos bancos não aumentou nesta magnitude. Segundo ele, o aumento dos juros está sendo aplicado junto com a elevação da margem de lucro na expectativa que o custo de captação fique mais caro.
Uma simulação realizada pelo Dieese mostra que um carro no valor de R$ 20 mil financiado em 48 meses (quatro anos) teria um aumento na prestação de R$ 48,72, ou seja, a parcela mensal passaria de R$ 587,50 para R$ 636,22. Isso por conta do aumento da taxa de juros mensal de 1,50% para 1,88%. Com o aumento dos juros, o valor final do carro financiado que era de R$ 28.200,00 passa a custar R$ 30.346,00. Ele destacou que entre agosto de 2007 e agosto de 2008, os juros já tinham subido 16% por conta do aumento da taxa Selic (juros básicos da economia do País).
Para a venda de carros usados e seminovos ainda não houve aumento de taxas. O diretor de relações públicas da Associação de Revendedores de Veículos Automotores do Estado do Paraná (Assovepar), Gilberto Deggeroni, acredita que o aumento deva chegar às concessionárias nos próximos dez dias. Ele disse que recebeu informações ainda não oficiais de que o aumento fique entre 10% e 12%. ''Estamos aguardando a oficialização dos bancos'', disse.
Ele informou que a hoje a média de juros mensais para a compra de carros usados está entre 1,55% e 1,65%. Deggeroni acredita que o aumento dos juros possa prejudicar as vendas de veículos. ''Ainda está tudo (o aumento dos juros) muito especulativo'', disse. Hoje, Curitiba e Região Metropolitana contam com 1.600 revendas de carros usados.
A regional do Paraná da Fenabrave, que representa as concessionárias de carros novos, informou que não tem como se posicionar sobre o aumento dos juros porque não são as concessionárias que estabelecem as taxas, mas apenas intermediam o financiamento entre o cliente e as financiadoras. Até agora, nem todas as concessionárias receberam a tabela nova de juros, segundo a Fenabrave.
O aposentado Jair Bertolaso Bento está trocando o carro usado por um zero quilômetro. Ele optou por pagar a diferença de R$ 11 mil entre os dois veículos à vista para não ter o custo dos juros. ''Não compensa pagar juros'', disse. Ao comprar o veículo à vista ele disse que ainda pode brigar pelo desconto e por uma avaliação melhor do carro usado. Ele contou que a concessionária ofereceu R$ 18 mil pelo carro usado, mas ele conseguiu melhorar a proposta para R$ 20 mil.
Cordeiro destacou ainda que a crise dos Estados Unidos está afetando o mercado (bolsa e câmbio), o custo do crédito e a atividade econômica que será prejudicada pela redução dos investimentos, pelo aumento do custo do crediário e a redução do consumo. O crescimento menor da economia também deve impactar na produção e na geração de empregos.

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