Juros mais baixos exigem atenção do consumidor
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quarta-feira, 18 de abril de 2012
Aline Vilalva <br> <br> Reportagem Local 
Seguindo o movimento dos bancos públicos, Caixa e Banco do Brasil, ontem o Bradesco e o Itaú Unibanco anunciaram a redução de juros no crédito para pessoas físicas e empresas. O Bradesco vai ampliar limites de crédito em R$ 21 bilhões para os dois segmentos e bancos de montadoras. O Itaú Unibanco, por sua vez, informou que seu limite de crédito disponível para emprestar ultrapassa R$ 200 bilhões.
Para os clientes pessoa física do Bradesco haverá redução de taxas nas linhas de financiamento de veículos, crédito pessoal, consignado e aquisição de bens. A taxa do crédito pessoal, por exemplo, cai de 2,66% para a partir de 1,97% ao mês. No financiamento de veículos, a taxa que era de 1,35% passou a ser a partir de 0,97% ao mês.
No Itaú, todos os clientes com conta-corrente terão redução de taxas para financiamento de veículos e no crédito consignado para beneficiários do INSS. O corte é válido para as novas operações contratadas nas agências do banco, informou o comunicado à imprensa. As novas taxas passam a valer a partir de segunda-feira, dia 23.
No caso do financiamento de veículos, a taxa mínima caiu 8% e passou para 0,99% ao mês. Essa taxa será válida para clientes correntistas há mais de um ano, em operações com 50% de entrada e parcelamento em até 24 meses. Nos empréstimos consignados para beneficiários do INSS a taxa mínima foi reduzida para 0,89% e a máxima, para 2,20% ao mês. O banco não informou as taxas anteriores.
Conforme matéria veiculada pela FOLHA na edição de ontem, em apenas uma semana de redução dos juros nas linhas de crédito da Caixa Econômica Federal, os resultados nas agências paranaenses superaram a média de crescimento das operações nacionais da instituição. As operações de crédito consignado aumentaram 172% nesta primeira semana, enquanto o Crédito Direto ao Consumidor (CDC) registrou incremento de 137%.
O administrador de empresas e conselheiro do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef-PR), José Ecio Pereira da Costa Junior, alerta que as pessoas devem se controlar e não assumir dívidas em função da redução das taxas de juros. ''Além disso, se for tomar empréstimo, é importante checar se o acesso a essas linhas não têm reciprocidade, ou seja, a coobrigação de manter depositado na conta um percentual do valor emprestado'', reitera.
O economista Marcio Luis Massaro, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Londrina) e Faccar, de Rolândia, orienta que mesmo com a redução dos juros, vale a pena negociá-los com o gerente do banco. ''As taxas reduziram no balcão, mas ainda sobram oportunidades de maior redução, pontualmente, de acordo com o perfil de uso de quem vai contratar o crédito'', afirma. ''Com certeza, os bancos estão preparados para receber negociação'', reitera.
Antes de pedir o crédito, acrescenta Massaro, é necessário analisar se realmente ele é necessário, pois o melhor negócio ainda é a compra a vista, ''que pode ter mais descontos''. ''Também é importante atentar para o custo efetivo total (CET) ao qual, muitas vezes, são agregadas taxas de serviço'', ensina.
Na avaliação do economista, a tendência é de que a busca por crédito se mantenha elevada, no primeiro momento, mas que deva decrescer com o passar dos meses e passar rapidamente, ''pois a capacidade de endividamento das pessoas não está tão alta''. ''Isso ocorre porque nos países em desenvolvimento há demanda reprimida por qualquer coisa e quando é oferecido algum benefício, as pessoas se colocam predispostas a demandar produtos e serviços'', justifica. (Com Agência Estado)


