Juros incertos dificultam investimento
A continuidade da queda acelerada dos juros não é mais uma certeza no mercado. Na semana passada, surgiram dois fatores no cenário externo que podem fazer com que o Banco Central (BC) desacelere um pouco o ritmo de redução das taxas: a ameaça de que o banco central norte-americano) eleve os juros, já que a instituição mudou o viés das taxas de neutro para de alta; e a preocupação dos investidores de que a Argentina seja obrigada a abandonar o câmbio fixo, desvalorizando o peso.
Mas, ainda que tenham surgido esses dois focos de incerteza, que podem prejudicar a economia do País, a tendência das taxas internas ainda é de queda, diz o diretor de Análise Econômica do Banco BMC, Marcelo Allain. Na quarta-feira, os juros caíram de 27% para 23,5% ao ano.
Ele lembra que, internamente, a situação é favorável à queda dos juros. A inflação está controlada e o fluxo de recursos para o País tem sido positivo. Allain diz que, se uma eventual alta dos juros provocar uma queda abrupta da Bolsa de Nova York, o Brasil poderá ser afetado, e os investidores poderão acabar tirando parte dos recursos aplicados aqui. Também é possível que a economia norte-americana cresça menos, afetando a atividade econômica mundial.
Um problema na Argentina poderia diminuir o fluxo de recursos para o Brasil. Quando um país emergente é afetado, a tendência é que os investidores estrangeiros olhem outros emergentes com desconfiança. Além disso, as economias dos dois países estão bastante ligadas, por conta do Mercosul.
Mas Allain ressalta que ainda é prematuro dizer que esses fatores vão concretizar-se. Por isso, ele entende que ainda há espaço para a queda dos juros. A questão é que, como as taxas já recuaram muito, as reduções serão menores e menos intensas. É por isso que ele recomenda que a maior parte dos recursos destinados à renda fixa seja ancorada em fundos prefixados. Segundo Allain, a perspectiva de ganho dessas aplicações em relação aos fundos DI não é tão grande como há dois meses, mas ele ainda aposta que os prefixados devem oferecer rendimento superior.
Allain entende que o momento não é o ideal para começar uma aplicação em ações. O IBovespa já avançou muito este ano, nada menos de 72,86%. No curto prazo, a Bolsa paulista pode passar por realizações de lucros. Com isso, quem esperar um pouco poderá entrar nas Bolsas quando as ações estiverem mais baratas. No médio prazo, porém, as perspectivas para o investimento em ações são positivas.
Quem estiver decidido a apostar nos papéis, deve atentar para alguns cuidados fundamentais. Os especialistas aconselham o investidor a aplicar apenas com perspectiva de prazos mais dilatados. No curto prazo, as Bolsas podem passar por oscilações mais acentuadas. Deve, também, destinar somente uma pequena parcela dos recursos para as Bolsas, de modo a não ficar com todo o patrimônio exposto ao risco no mercado de ações.
Se for investir por meio da compra direta de ações, procure ler relatórios de especialistas sobre as empresas, obtendo o maior número possível de informações a respeito do potencial de valorização das ações. E se puder investir por prazos bem dilatados, convém procurar ações de segunda linha (que são menos negociadas) e que podem ser boa opção.
Para investidores que dispõem de uma quantidade mais expressiva de
recursos, na casa de R$ 500 mil, a opção pode ser um serviço especial de administração de patrimônio oferecido pelos bancos, o chamado private banking. Por meio desse serviço, as instituições oferecem um atendimento personalizado, que possibilita o investimento em aplicações financeiras mais sofisticadas e mais rentáveis. Mas o private banking não se restringe apenas à gestão de recursos: há desde assessoria imobiliária até consultoria em processos de fusões e aquisições de empresas.
O processo de estabilização da economia contribui para o crescimento desse serviço, diz o vice-presidente de Private Banking do Unibanco, Celso Scaramuzza. Ele afirma ainda que, quando a economia voltar a crescer nos próximos meses, devem aumentar as oportunidades de novos negócios, que podem levar ao surgimento de clientes potenciais de private banking.





