Juros futuros cedem com piora de quadro externo
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segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Agência Estado 
O mercado de juros futuros passou boa parte do dia devolvendo prêmios, mas no meio da tarde a ponta longa da curva a termo ganhou força e as taxas voltaram para perto do ajuste de sexta-feira (9). Analistas não encontraram nenhum fato concreto que amparasse esse movimento, uma vez que o cenário externo continua ruim e, teoricamente, predominando sobre o ambiente doméstico.
No entanto, como os DIs mais longos são amplamente dominados pelos investidores estrangeiros, estes podem estar revertendo posições vendidas em compradas, uma vez que o juro dos Treasuries para dez anos também teve alguma recuperação ao longo da tarde.
Ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2012 recuava para 11,34%, de 11,39% no ajuste de sexta-feira, com volume de 298.425 contratos. O DI janeiro 2013 (425.980 contratos) cedia a 10,61%, ante 10,71% no ajuste anterior. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (51.475 contratos) marcava 11,15%, de 10,99% na mínima e nivelado ao ajuste de sexta. O DI janeiro de 2021 (8.920 contratos) estava em 11,15%, de 11% na mínima e de 11,13% no ajuste.
Lá fora, os mercados de forma geral precificam uma iminente possibilidade de default por parte da Grécia, o que afetou duramente o setor bancário, sobretudo da França. O que fez com que o ministro das Finanças francês, François Baroin, defendesse a condição dos bancos de seu país, reiterando comentários anteriores do banco central francês de que as instituições não têm problemas de liquidez ou solvência e podem lidar com qualquer cenário na Grécia.
Os indicadores externos também não sustentaram nenhum otimismo. A produção industrial da Itália, por exemplo, caiu 0,7% em julho, em bases mensais e ajustadas sazonalmente. Os economistas esperavam queda de 0,1%. Na Grécia, segundo o Ministério das Finanças, o déficit orçamentário aumentou 22,2% de janeiro a agosto, em comparação ao mesmo período do ano passado, para ? 18,1 bilhões.
Na tentativa de amenizar as preocupações com a Grécia, duas autoridades seniores do FMI informaram que os credores gregos devem aprovar o desembolso, no final do mês, da próxima tranche (parcela) do pacote de ? 110 bilhões de 2010, depois de o governo do país ter anunciado, no fim de semana, novos impostos para cobrir a queda de ? 2 bilhões nas receitas da nação.
A piora externa, no entanto, não amparou as projeções da pesquisa Focus de hoje. Em relação ao IPCA, as previsões para setembro subiram de 0,40% para 0,43%. Para 2011, a estimativa passou de 6,38% para 6,45%, já muito próximo do teto da meta, que é de 6,50%. Para 2012, a mediana das projeções para o índice oficial de inflação subiu de 5,32% para 5,40%.


