Juros finais só devem cair no 2º semestre
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quinta-feira, 25 de junho de 1998
Agência Estado 
O economista Heron do Carmo, um dos coordenadores do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe, diz que a redução da taxa de juros básica da economia de 21,75% para 21% ao ano, determinada na quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom), sinaliza que o governo irá baixar os juros de forma gradual de agora em diante.
O economista acredita que o governo vai tentar reduzir os juros para o consumidor final no segundo semestre do ano para melhorar o ritmo de atividade econômica. Ele argumenta que há espaço para um corte maior nos juros cobrados do consumidor, com a redução no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
A nova redução não deverá ter efeito nas vendas do varejo, prevê o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Élvio Aliprandi. A queda do TBC de 0,75 ponto porcentual é mínima e não vai ter reflexo no crediário, disse ele. Os problemas continuam sendo os depósito compulsórios e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que encarecem a venda a prazo.
Na sua avaliação, parece que o governo ainda não se sensibilizou. Infelizmente continuamos no mesmo ciclo de juros altos, inadimplência e desemprego, diz. Para Aliprandi, o governo poderia reduzir o IOF, aumentando o consumo interno sem tirar o atrativo das taxas para o investidor estrangeiro. A queda do juro tem limite e mesmo assim ele está hoje cerca de 425% acima da inflação, de 4% ao ano.
Para o consultor Marcílio Marques Moreira, em julho a TBC poderá baixar para 20% ao ano. Ele disse que a redução de 21,75% para 21% na TBC promovida pelo governo ontem abriu espaço para que o recuo da taxa em julho possa ser de um ponto porcentual.
O Banco Central foi prudente, segundo o consultor, ao baixar a TBC de 21,75% para 21%, embora frustrando expectativas do mercado, que esperava um corte maior. Como lembrou, a queda, mesmo modesta, está perfeitamente de acordo com a política do governo de diminuição gradual dos juros.


