Juros fazem inadimplência chegar a 45%, segundo BC
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2002
Ney Hayashi da Cruz Agência Folha) 
Brasília - O desaquecimento da economia e a alta dos juros fizeram com que a inadimplência nos empréstimos bancários aumentasse 45% no ano passado. No final de 2000, 9,5% do total de créditos concedidos a pessoas físicas eram pagos com, pelo menos, 15 dias de atraso. Em 2001, segundo o Banco Central, essa proporção subiu para 13,8%.
Só no cheque especial, modalidade de crédito que cobra a taxa de juros mais elevada, o crescimento da inadimplência foi de 63%. Em dezembro de 2001, o pagamento de 11,6% desses empréstimos estava atrasado.
Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, o cenário econômico desfavorável foi o responsável pela elevação da inadimplência.
No ano passado, numa tentativa de conter a disparada do dólar, o BC elevou os juros básicos da economia em 3,75 pontos percentuais, para 19% ao ano. Isso fez com que os bancos reajustassem suas taxas.
Em janeiro de 2001, os bancos cobravam, em média, juros de 63,6% ao ano em seus empréstimos para pessoas físicas. Em dezembro, a taxa estava em 71,8%.
Lopes disse que, com a alta dos juros, muitas pessoas começam a ter dificuldades em pagar em dia seus compromissos, levando ao aumento da inadimplência.
Além disso, a alta dos juros, combinada com fatores como o racionamento de energia, provocou uma desaceleração da economia. Em janeiro, a expectativa era que o crescimento econômico em 2001 ficasse entre 4% e 5%. Agora, projeta-se que a economia tenha crescido em torno de 2%.
O menor nível da atividade aumenta o desemprego e reduz a renda da população, dificultando o pagamento dos empréstimos em dia, segundo o funcionário do Banco Central.
Lopes afirmou que, apesar do crescimento registrado no ano passado, o atual nível de inadimplência é normal e não preocupa. Ele lembrou que a situação não se compara com o ocorrido no início do Plano Real. Na ocasião, o crescimento dos calotes, combinado com a explosão na concessão de crédito, deixou muitos bancos em dificuldades.
Hoje, disse Lopes, as instituições financeiras são obrigadas, pelo BC, a fazer provisões para se proteger de eventuais calotes. Sendo assim, um aumento na inadimplência não traz riscos para o funcionamento do sistema financeiro como um todo.
Hoje, disse Lopes, as instituições financeiras são obrigadas, pelo BC, a fazer provisões para se proteger de eventuais calotes. Sendo assim, um aumento na inadimplência não traz riscos para o funcionamento do sistema financeiro como um todo.
Entre as empresas, o nível de inadimplência permaneceu praticamente estável. Em dezembro de 2000, 5,7% de todas as operações de crédito para pessoas jurídicas estavam com atraso de, pelo menos,15 dias. No mês passado, essa proporção havia crescido, chegando a 6%. (Na página 2, juros sobre cheque especial).


