Com a manutenção dos juros nos atuais níveis, a rentabilidade das aplicações de renda fixa continuará atraente para quem vai aplicar nos próximos dias, com ganho real, acima da inflação.
Para o diretor de análise econômica do Banco BMC, Marcelo Allain, o fato de o Banco Central ter mantido a TBC e a TBAN (piso e teto do juro) de junho no mesmo nível de maio confirma a estabilidade das taxas no curto prazo. Segundo ele, o juro real tende a crescer a partir de julho, quando a inflação deve cair. Em junho, os índices inflacionários tendem a subir, refletindo o aumento das tarifas de ônibus. Entre as opções de renda fixa, Allain recomenda os fundos de 60 dias. Para o investidor que tem grandes quantias, ele sugere os CDBs de prazos longos, com vencimento após o fim da vigência da CPMF.
O diretor do BMC vê boas perspectivas para as Bolsas no médio prazo, mas lembra que, como já subiram muito este ano, pode haver vendas para realização de lucros. Entre os fatores positivos para o mercado de ações, ele aponta a manutenção dos juros norte-americanos pelo Fed (banco central dos Estados Unidos), as medidas do BC para estimular o ingresso de capital estrangeiro (redução do IOF e permissão para atuação nos mercados derivativos). Além disso, a perspectiva de privatização das empresas de telecomunicações e de energia elétrica deve dar alento às ações.
Mas, caso se agrave a crise política decorrente das denúncias de compra de votos para aprovação da emenda da reeleição, as Bolsas podem ser prejudicadas, diz Allain. A paralisação das reformas e uma eventual piora das contas externas e fiscais do País também podem vir a atrapalhar os mercados acionários.
Mudança na TR A reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) alterou a fórmula de cálculo da Taxa Referencial (TR), base para a remuneração da caderneta de poupança.
A partir de novembro, o redutor, que hoje é definido pelo BC com seis meses de antecedência, passa a variar mensalmente, de acordo com as taxas de juro. O cálculo do deflator da TR incluirá a média da Taxa Básica Financeira (TBF) dos últimos cinco dias úteis do mês anterior.
Com a nova metodologia, o redutor será menor (e o rendimento da caderneta, em consequência, maior) quando os juros estiverem em queda. Inversamente, se as taxas subirem, o deflator será maior, prejudicando a rentabilidade da poupança.

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