Juros elevam dívida pública mobiliária
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segunda-feira, 24 de outubro de 2005
Agência Estado 
Brasília - As elevadas taxas de juros provocaram neste ano um aumento de R$ 103,06 bilhões na dívida do governo representada por títulos vendidos no mercado interno. No final de setembro, a dívida somava R$ 933,22 bilhões, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério da Fazenda. De janeiro a setembro, o endividamento total do governo aumentou R$ 122,96 bilhões, mas, segundo o Departamento do Tesouro Nacional, a venda líquida de novos títulos no mercado foi de apenas R$ 19,9 bilhões. A diferença é o efeito dos juros no valor do estoque de títulos nas mãos dos investidores.
O forte peso dos juros no saldo da dívida reflete, principalmente, o aumento da taxa Selic ao longo do ano. Isso acontece porque, atualmente, 54,33% dos títulos públicos têm seu valor corrigido pela variação da Selic, que, de setembro do ano passado até maio deste ano, subiu de 16% para 19,75% ao ano. A taxa só começou a cair no mês passado e está, agora, em 19%.
Os dados divulgados pelo Ministério mostram que ainda que, de agosto para setembro, a dívida teve um aumento de R$ 12,43 bilhões. Desse total, R$ 10,4 bilhões foram decorrentes do impacto dos juros e os outros R$ 2 bilhões referentes a novos títulos vendidos no mercado.
Apesar do aumento do endividamento, os números do Tesouro até setembro indicam que houve melhora no perfil da dívida, com a diminuição da parcela de títulos atrelados à Selic e o aumento dos papéis com correção fixada na hora da compra, os chamados prefixados. Esse movimento significa que a dívida brasileira ficou um pouco menos sensível às mudanças de humor do mercado financeiro e ao risco de variações bruscas da taxa Selic.
Em setembro, a parcela de títulos prefixados no total da dívida subiu de 23,87% (R$ 219,79 bilhões) para 25,76% (R$ 240,39 bilhões), o melhor nível atingido desde 1999. Por outro lado, a participação de papéis corrigidos pela Selic caiu de 55,85% para 54,33% do total. O estoque desses títulos, conhecidos no mercado financeiro como pós-fixados, estava em R$ 507,06 bilhões no fim de setembro.
A dívida cambial (títulos e contratos atrelados à taxa de câmbio) também continua em queda, tendo atingido em setembro R$ 35,61 bilhões ou 3,82% do total da dívida. No início do governo Lula, a parcela de prefixados, títulos que dificilmente são vendidos em momentos de grande turbulência no mercado financeiro, correspondia a apenas 1,91% e a dívida cambial era equivalente a 22,06% da dívida.
O coordenador da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Paulo Valle, destacou como dado positivo a redução da parcela de títulos que vence em até 12 meses, que caiu de 42,71% para 41,02% do total. Essa é a chamada dívida de curto prazo. Quanto menor é essa parcela, menor é o risco de financiamento para o governo e melhor é a imagem do País sob a ótica das agências internacionais de classificação de risco.


