Juros e oferta de títulos fazem dívida pública crescer 1,6%
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de junho de 2005
Folhapress 
Brasília - A crise política não diminuiu o apetite dos investidores por títulos do governo federal. De acordo com o Tesouro Nacional, a rolagem da dívida mobiliária federal interna não foi afetada, apesar das denúncias de corrupção. Em maio, o volume de papéis nas mãos do público atingiu R$ 887,9 bilhões - um crescimento de R$ 14,1 bilhões (1,6%) na comparação com abril.
Um dos motivos para a alta no estoque foi a emissão líquida de R$ 3,8 bilhões em maio. Isso quer dizer que, no período, a oferta de títulos públicos federais superou os resgates de papéis. Também influenciou no crescimento o efeito dos juros pagos aos investidores.
Embora a dívida tenha crescido no mês, a parcela de papéis prefixados na composição do estoque nunca esteve tão elevada (22,05%), enquanto a exposição cambial nunca alcançou níveis tão baixos (4,27%).
Para o governo, quanto maior a participação de títulos prefixados, melhor. Isso torna a administração da dívida mais previsível. Já a queda da exposição cambial é benéfica, porque reduz a fragilidade do país em caso de fortes oscilações do dólar.
O chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto do Banco Central, Ivan de Oliveira Lima, afirmou que o principal fator que levou à redução na exposição cambial foi a valorização do real em 5,04% no mês de maio. No caso dos títulos prefixados, o aumento da participação ocorreu por conta de uma emissão líquida de R$ 16,2 bilhões.
Em maio, a melhora no perfil da dívida também foi sentida na participação dos títulos atrelados à Selic (taxa básica de juros). A parcela desse tipo de papel caiu de 58,5% para 57,24%.
Crise política - Mesmo o acirramento da crise política, neste mês, não comprometeu a estratégia de financiamento da dívida, de acordo com o coordenador-geral da Dívida Pública, Paulo Valle. Ele relata que, há duas semanas, o Tesouro adotou uma atitude mais conservadora ao ofertar papéis.
O entendimento era que o mercado estava mais volátil devido ao noticiário político. O Tesouro decidiu então ajustar o tamanho do lote de títulos. ''Fizemos um leilão mais conservador, ao ofertar apenas R$ 1,5 bilhão. Mas não verificamos redução da demanda. Pelo contrário, a demanda continua forte. No leilão seguinte, chegamos a vender com taxas mais baixas'', declarou Valle.
Ele acrescentou que, neste ano, a média de rolagem da dívida tem sido superior aos vencimentos dos títulos. No ano passado, essa média era de 86%. Neste ano, subiu para 111%. Valle explicou que, se o governo rola acima de 100% de seus papéis, o caixa engorda.
''A dívida mobiliária pode até crescer, mas a dívida líquida do governo pode cair. Com recursos a mais, é possível reduzir a dívida externa, por exemplo'', disse o coordenador da Dívida Pública. Além disso, o Tesouro não precisa usar os recursos acumulados com o superávit primário (receita menos despesas, exceto os juros da dívida), o que aumenta ainda mais o chamado ''colchão'' para amortecer eventuais volatilidades na economia.


