Juros e inflação deixam consumidor menos otimista
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quinta-feira, 01 de abril de 2004
José Ramos<br> Agência Estado 
Brasília - O repique da inflação do início deste ano e a pausa dada pelo Banco Central na queda dos juros jogaram uma ducha fria no ânimo dos consumidores, segundo o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A expectativa neste trimestre ficou 4,8% abaixo da verificada em dezembro do ano passado. Mas o índice é considerado ainda elevado pelos organizadores do levantamento, feito a cada três meses, e ainda está 2,4% acima do apurado no início de 2003.
Na comparação com dezembro, houve deterioração em todos os itens da pesquisa. O número dos que prevêem boas perspectivas para 2004, por exemplo, teve queda de 8,6%, e o dos que se consideram satifeitos com a vida encolheu 1,4%. A expectativa de queda da inflação caiu 10,6%, e 51,1% prevêem crescimento dos preços nos próximos seis meses, enquanto apenas 13,8% disseram acreditar em redução. A expectativa de que haverá aumento na renda geral da população caiu 3,1% , e a expectativa de aumento da renda pessoal reduziu-se em 2,1%.
Já o medo de perder o emprego ficou estável, segundo a CNI, com elevação de apenas 0,6%. No entanto, de dezembro para cá aumentou em 8,6% o número de pessoas que acham que o desemprego irá aumentar nos próximos seis meses. Segundo a pesquisa, 63,3% dos entrevistados disseram ter medo do desemprego, e 9,2% se disseram afetados pelo problema. E 56,3% previram um aumento no desemprego, contra 49% que tinham a mesma opinião em dezembro. Em consequência da redução das expectativas, caiu 2,6% a intenção dos consumidores de ir às compras nos próximos três meses.
Apesar da queda, o consumidor está mais otimista do que no mesmo período do ano passado. Em março de 2003, por exemplo, 64,2% acreditavam que a inflação subiria nos próximos seis meses, e hoje este porcentual caiu para 51,1%. O medo do desemprego também era maior, e caiu 3% em um ano. E a expectativa de que a renda pessoal vai melhorar cresceu 2% entre os entrevistados.
A pesquisa mostrou ainda que a população de baixa renda e os moradores dos Estados menores são os mais otimistas com o ano de 2004. Enquanto 77% dos entrevistados com renda acima de 10 salários mínimos disseram acreditar que o ano será ''bom''ou ''muito bom'', este índice subiu para 88% entre os que tem renda de até um salário mínimo.
No Sudeste, onde estão os Estados mais industrializados, esse otimismo foi manifestado por 79% de todos os entrevistados, enquanto no Nordeste este índice pulou para 89%. As regiões Norte e Centro-Oeste, com 83% de votos ''bom''e ''muito bom'', e a região Sul, com 84%, ficaram afinadas com a média do País, que foi de 83%.


