São Paulo - O mercado de fundos de investimento imobiliário (FIIs) deve ganhar fôlego este ano em razão das mudanças nas regras do segmento promovidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A tendência de investidores apostarem mais em ativos com lastro real em momentos de crise e a perspectiva de redução da taxa básica de juros (Selic) também contribuirão para o crescimento. A principal alteração na legislação vai possibilitar que esses fundos invistam não só em unidades físicas, mas também em papéis lastreados em imóveis.
Com a nova legislação (Instrução nº 472), os FIIs poderão comprar, por exemplo, certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), o que pode atrair investidores com apetite maior para o risco, segundo o sócio da Brazil Partners, Sergio Belleza. O próprio mercado de CRIs poderá ser fomentado com as novas possibilidades de aplicação de recursos pelos fundos imobiliários, como a criação de um fundo de CRIs. ''Isso poderá contribuir para a criação de um mercado secundário de CRIs que não existe'', diz o diretor da Brazilian Mortgages, Rodrigo Machado.
De acordo com o sócio da Brazil Partners, os fundos imobiliários que já existem não deverão se afastar do formato tradicional, mudando seu foco. As alterações virão nas novas carteiras. No momento, o escritório PMKA está estruturando contratos de três fundos imobiliários. Segundo o sócio Alexandre Assolini, um deles é uma carteira de recebíveis imobiliários, que vai abranger ativos de base imobiliária com característica de renda fixa, como CRIs e fundos de direitos creditórios (FDICs), e terá valor de R$ 50 milhões. Esse fundo não poderia ser criado pelas regras antigas.
Os outros dois poderiam existir no formato anterior, mas não contariam com a facilidade do registro automático, que se tornou possível com a nova legislação. O registro automático permite economia de tempo de até 90 dias, segundo Assolini. O PMKA está estruturando o contrato de um fundo de R$ 100 milhões que será destinado à compra de participação em shopping centers. Outro FII, de R$ 25 milhões, será voltado para a compra de imóveis de redes de varejo para aluguel.
Participantes desse mercado veem também a possibilidade de criação de fundos imobiliários para o investimento em incorporação. Na avaliação de Belleza, da Brazil Partners, o segmento será fomentado também porque os bancos poderão administrar ativos imobiliários que ocupam como inquilinos.
De acordo com o diretor da Oliveira Trust, Alexandre Freitas, as novas regras já elevaram o número de consultas sobre a possibilidade de lançamentos de novos FIIs. ''Na 472 a política de investimento é mais ampla. Pode comprar o imóvel diretamente ou não. Vai ser um catalisador para o segmento imobiliário. Isso aumenta a liquidez'', disse.
As perspectivas da indústria de fundos imobiliários são positivas, mas o porcentual de expansão neste ano vai depender também da liquidez do mercado. ''Enquanto o mercado não se normalizar, não deverá buscar novos papéis'', diz um representante do setor.

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