A dificuldade em vender um imóvel também está diretamente ligada às altas taxas de juros dos financiamentos disponibilizados pelos agentes financeiros. Conforme os empresários do setor da construção, os índices são obstáculos para que os clientes, principalmente os da classe média e alta, comprem imóveis através de empréstimos bancários. Os juros, segundo eles, giram em torno de 12% ao ano.
  ‘‘O imóvel não valoriza 12% ao ano. Nos Estados Unidos o juro é de 4% a 7% ao ano, para um financiamento de 30 anos, no Brasil é 12% mais Taxa Referencial (TR), e aí a renda de qualquer um não acompanha essa evolução’’, destacou Pires. Segundo ele, o volume de imóveis vendidos através dessas transações não chega hoje a 20%. ‘‘Antes chegava a 90%, a queda foi visivelmente por causa das taxas de juros. Hoje, só de pensar em financiamento o cliente se arrepia’’, enfatizou.
  Entre alguns dos pedidos e sugestões feitas pelos debatedores aos representantes da Caixa, durante o evento foram o alongamento do prazo e a cobrança de juro real de 6%. ‘‘Se não for dessa forma a Caixa não vai conseguir emprestar o dinheiro que tem’’, disse Salgueiro, referindo-se à verba de R$ 11 bilhões disponibilizada pelo banco este ano para crédito imobilário, dos quais até agora apenas R$ 3 bilhões estão sendo utilizados.
  De acordo com os empresários, o medo de comprar um imóvel através de financiamento não está apenas ligado às altas taxas, mas também à preocupação de mudanças políticas e econômicas como já aconteceram no passado. ‘‘O cidadão está meio escolado. Você acompanha todas as mudanças de plano há alguns anos como o Verão, o Collor e sente medo. Você assina um negócio em uma situação e a regra do jogo muda’’, lembrou Galindo. ‘‘Então, de repente, a pessoa acaba não adquirindo uma casa, e sim um problema para sua família, e não consegue se desfazer mais dele’’, lamentou o construtor. (E.Z.)

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