Agência Estado
Do Rio de Janeiro
Quem está pendurado no cheque especial já vai começar a sentir os efeitos da redução dos juros ao consumidor em 15 dias. A expectativa é do novo diretor de Finanças e Mercado de Capitais do Banco do Brasil, Vicente de Paulo Diniz. O alívio é efeito direto da redução de 20% para 10% na alíquota de recolhimento compulsórios sobre depósitos a prazo CDBs, por exemplo). A decisão foi tomada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) na noite de anteontem.
Os juros para quem toma empréstimos ou é correntista do Banco do Brasil vão cair nos próximos dias. O BB cobra atualmente, no cheque especial, taxa de 8,4% a 9,4% ao mês, e no Crédito Direto ao Consumidor, cerca de 4,5% ao mês. Diniz não quis adiantar de quanto será o corte, mas explicou que a intenção do BB é repassar aos consumidores os benefícios decorrentes da maior flexiblidade da política monetária. ‘‘A medida diminuiu o custo de captação dos bancos e essa queda será repassada aos clientes’’, explicou.
Segundo o diretor do BB, a tendência de queda dos juros deve ser seguida por outras instituições. ‘‘A estratégia é oferecer taxas mais baixas e obter lucros com o aumento da oferta de crédito’’, informou. ‘‘A economia está reagindo e a mudança vai possibilitar uma queda na diferença entre a taxa de captação e a cobrada aos consumidores.’’
Para o executivo, o resultado será um aumento nas linhas de financiamento ao setor produtivo. O próprio governo estima que a mexida nas regras do compulsório injete aproximadamente R$ 10 bilhões no sistema, que antes estava recolhido nos cofres do Banco Central. Parte desses recursos serão utilizados pelos bancos para aumentar a oferta de crédito na economia, principalmente agora quando a atividade produtiva começa a dar sinais de recuperação. ‘‘A economia está reagindo e vai demandar mais empréstimos neste segundo semestre’’.
Para os empresários, entretanto, a redução no recolhimento compulsório sobre os depósitos a prazo não deverá aliviar o constrangimento a que são submetidos no momento em que recorrem aos bancos para obter crédito. O dinheiro deve permanecer escasso e as relações com o setor financeiro vão continuar difíceis, afirmam. Atualmente, para financiar a produção, segundo informam, são obrigados a depositar garantias em duplicatas e dar avais pessoais. E ainda têm de manter aplicada no banco pelo menos a metade do valor liberado.
‘‘Reduzir pela metade o compulsório não deverá melhor a liquidez no mercado financeiro’’, afirmou ontem o vice-presidente do Centro das Indústrias de São Paulo (Ciesp), Mario Bernardini. Como, em geral, os recolhimentos ao BC são feitos em títulos públicos e, como os grandes bancos mantêm elevado estoque desses papéis, a redução do compulsório não deverá contribuir para elevar a oferta de dinheiro, disse Bernardini.

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