Juros do crediário sobem 1,9% em janeiro
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005
Gustavo Freire<br>Agência Estado 
Brasília A política de alta dos juros conduzida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) desde setembro do ano passado chegou ao crediário. Os dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC) mostram que, em janeiro, os consumidores pagaram uma taxa de juros 1,9 ponto porcentual mais cara que em dezembro do ano passado. O custo, com esta variação, passou dos 61,5% do final de 2004 para 63,4% no primeiro mês deste ano. Nos primeiros nove dias úteis deste mês, o movimento de alta persistiu, com a taxa de juros aumentando mais 1,3 ponto porcentual e alcançando a marca dos 64,6% ao ano.
O chefe do Departamento Econômico (Depec) explicou que o encarecimento do crédito teve um impulso adicional do aumento da procura por empréstimos bancários. ''Sazonalmente há um aumento do crédito em janeiro'', disse. O crescimento, segundo Altamir, está relacionado ao fato de as famílias precisarem de recursos no início do ano para o pagamento de tributos (IPTU e IPVA) e escola (matrículas e compra de material).
O dinheiro tomado emprestado nos bancos também costuma ser usado na quitação de dívidas contraídas no período de férias de fim de ano. ''Muitas vezes um gasto com viagens nas férias pesa no orçamento das famílias no início do ano'', disse.
O aumento da demanda do crédito pelos consumidores foi, segundo o chefe do Depec, generalizada. ''Tivemos um crescimento em todas as modalidades de crédito'', disse. A maior taxa de expansão no entanto foi as dos empréstimos obtidos por meio do uso do cheque especial. De acordo com Altamir, o volume de operações com o cheque especial apresentou crescimento de 7,8% em janeiro. Os empréstimos feitos com a utilização do cartão de crédito, por sua vez, tiveram aumento de 4,3%, e o crédito pessoal apresentou alta de 3,1%. A expectativa do chefe do Depec é de que este movimento da elevação sazonal da procura por crédito venha a recuar em março.
O crescimento sazonal da procura por crédito pelas pessoas físicas foi o principal responsável, na avaliação de Altamir, pelo aumento de 1,3% dos volume total de empréstimos bancários ocorrido no primeiro mês do ano. Com a variação, aumentou dos R$ 485,005 bilhões de dezembro para R$ 491,173 bilhões. O valor correspondia a 26,4% do Produto Interno Bruto (PIB), conjunto de todas as riquezas produzidas pelo país. O porcentual é o maior já registrado pelo BC desde o início do governo Lula, mas ainda se encontra bem abaixo do verificado em países desenvolvidos como Estados Unidos (49% do PIB em 2000) e Canadá (67% do PIB em 2000).
Já os empréstimos com desconto em folha tiveram expansão de apenas 1,8% ao longo de todo o mês passado. Com a variação, o saldo destas operações, passou dos R$ 12,417 bilhões de dezembro de 2004 para R$ 12,645 bilhões. A participação dos trabalhadores da iniciativa privada nesta modalidade de crédito mais barata aumentou no mesmo período de R$ 2,070 bilhões para R$ 2,163 bilhões. Os aposentados do INSS, por sua vez, elevaram o valor de suas operações crédito com desconto em folha dos R$ 2,205 bilhões do final do ano passado para R$ 2,767 bilhões. A maior parte dos recursos, no entanto, continua a ser destinada aos funcionários públicos da ativa, que responderam, em janeiro, por R$ 7,715 bilhões do total dos empréstimos em consignação.


