Como o Comitê de Política Monetária elevou a taxa Selic em 1 ponto porcentual entre março e abril, parte do mercado aproveitou para ampliar injustamente o crédito ao consumidor. A afirmação é de Miguel Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), que divulgará até sexta-feira a pesquisa sobre juros em abril. ‘‘Lojas como a Casas Bahia elevaram a taxa de 3% para 3,9% ao mês em março, quando a Selic subiu 0,50 ponto porcentual.’’ Para ele, o ajuste do varejo significou elevação de 15,69 pontos porcentuais. Isso porque uma taxa de 3% ao mês representa 42,58% ao ano, mas a de 3,9% reflete 58,27% anuais.
O mercado se comportou de maneira diferenciada. ‘‘Teve loja que não alterou a taxa, mas reduziu as parcelas’’, diz. Na prévia da pesquisa da Anefac, os financiamentos para automóveis subiram pouco, mas também superaram a alta da Selic.’’
O economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, diz que as reações foram diversas. ‘‘Algumas lojas aumentaram os juros, mas mantiveram os prazos, outras seguraram as taxas e reduziram as parcelas.’’ Ele diz que a situação também não agrada ao comércio, pois com os juros altos as vendas caem. ‘‘Em março, as vendas subiram 14% em relação a março de 2000, mas em abril o crescimento foi de apenas 6%.’’

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