Brasília - O juro do cheque especial voltou a subir e atingiu o maior nível em quase cinco anos. Em tempos de aumento da Selic, o juro da linha de crédito mais cara linha do sistema financeiro aumentou 2,9 pontos em abril e atingiu 152,7% ao ano, no maior patamar desde setembro de 2003. O comportamento é contrário ao observado nas demais linhas de crédito voltadas às pessoas físicas que, na média, caíram 1,7 ponto, para 65,9% ao ano.
No cheque especial, a taxa passou de 149,8% para 152,7% ao ano entre março e abril. No empréstimo pessoal, subiu de 50,5% para 50,6% ao ano.
O crédito para aquisição de veículos, no entanto, ajudou a segurar os juros cobrados para pessoas físicas no mês passado. As taxas para compra de carros tiveram recuo de 30,1% para 29,8% ao ano.
Com isso, a taxa média para o consumidor passou de 47,8% ao ano em março para 47,7% em abril e voltou aos níveis de junho de 2007. No final do ano passado, a taxa chegou a cair para 33,8% ao ano, mas voltou a subir em 2008, atingindo o pico no mês de fevereiro (49%).
O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, explica que o aumento das taxas do cheque especial tem relação direta com a necessidade crescente de recursos por parte dos clientes. ''O comportamento mostra a busca das famílias por recursos nos bancos'', diz, ao comentar que a taxa praticada atualmente é ''proibitiva''.
O aumento do juro continua em maio. Dados preliminares mostram que a taxa avançou mais 4 pontos e já opera em 156,7%.
A subida do juro do cheque especial vai na contramão do movimento observado nas outras linhas de crédito destinadas às famílias. Na média, o juro para as pessoas físicas caiu para 65,9%, menos da metade do juro do cheque. O número não leva em conta as taxas praticadas no consignado.
Entre as linhas que apresentaram redução do juro, a aquisição de bens de consumo - como eletrodomésticos e móveis no varejo - teve redução de 1 ponto, para 56,4% ao ano.
A taxa do crédito pessoal, alternativa ao cheque especial, teve ligeira oscilação para cima de 0,1 ponto, para 50,6%. A taxa equivale a um terço da praticada no cheque especial.

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