Juros devem recuar a 21%
Agência Estado
O principal evento da semana para o mercado financeiro é a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira, que deve sacramentar mais uma queda nas taxas de juros. Esta é a expectativa do mercado financeiro.
O diretor de Administração de Recursos de Terceiros do Banco AGF-Braseg, Kazuhiro Miyamoto, por exemplo, aposta que os juros básicos devem cair de 22% para algo entre 20% e 21% ao ano.
Embora o governo venha afirmando que a política monetária está sendo decidida com base apenas na inflação, a melhora das perspectivas externas no curto prazo abriu espaço também para uma redução dos juros internos.
O cenário internacional tornou-se menos carregado depois que o presidente do Fed, o banco central norte-americano, Alan Greenspan, deu pistas de que vai elevar os juros, sim, mas não de forma acentuada, pois as pressões inflacionárias não são fortes como se temia.
Com isso, tudo indica que a instituição vai aumentar as taxas no fim do mês, mas a elevação não deverá provocar uma fuga de recursos para os T-Bonds, os títulos de longo prazo do Tesouro norte-americano, nem uma forte queda da Bolsa de Nova York, o que poderia afetar o Brasil.
Miyamoto diz que o Copom deve reduzir novamente os juros na quarta-feira, porque a inflação está sob controle e as taxas ainda estão muito altas. Além disso, diz ele, é uma maneira de o governo diminuir o custo de rolagem da dívida pública, ganhando também com os juros mais comedidos.
Mas essa perspectiva de queda não o faz recomendar aplicações prefixadas. Segundo ele, é melhor ficar na segurança dos fundos DI do que aplicar em CDBs ou fundos de renda fixa, pois o prêmio pago por essas aplicações não compensa o risco do investimento.
Miyamoto justifica essa atitude mais cautelosa porque acredita que podem surgir problemas no segundo semestre. No cenário externo, a China e a Argentina preocupam, pois podem acabar desvalorizando suas moedas. Internamente, a dificuldade de aprovar as reformas que garantam o equilíbrio estrutural das contas públicas é o principal entrave. Esses fatores podem impedir que o movimento de queda continue nos próximos meses ou, dependendo do que vier a acontecer, podem até provocar altas nas taxas.
Miyamoto vê com ceticismo o investimento em ações. Ele entende que as Bolsas já subiram muito este ano, e os investidores poderão realizar lucros quando houver alguma notícia menos favorável. Assim, pode ser interessante esperar um pouco mais e entrar no mercado de papéis daqui a algum tempo, quando as ações poderão estar mais baratas.





