Juros devem manter tendência de queda
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de maio de 1999
Agência Estado 
Continuidade da trajetória de queda dos juros e boas perspectivas no médio prazo para as Bolsas formam o cenário para o investidor em maio, na visão de Carlos Eduardo Mendes, diretor da Linear Investimentos.
Na semana passada, o Banco Central (BC) usou mais uma vez o viés de baixa, instrumento que permite que a autoridade monetária reduza os juros entre duas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), e diminuiu a taxa básica da economia, apontada pelo juro Selic, de 34% para 32% ao ano. Mendes acredita que, antes da próxima reunião do Copom, marcada para o dia 19, o BC pode reduzir novamente os juros, desta vez para algo em torno de 30%. No dia 19, ele aposta que o comitê pode baixar as taxas para 28% ao ano.
Mendes entende que, em abril, o governo foi mais cauteloso na condução da política monetária, por conta das incertezas causadas pela CPI dos Bancos, entre outros fatores. Mas, se as investigações não trouxerem nenhuma novidade que envolva integrantes do governo em escândalos financeiros, limitando-se aos casos já conhecidos, o cenário deve permitir uma redução mais acentuada dos juros. Além disso, a inflação está perdendo força, por causa da retração da atividade econômica, permitindo que o governo relaxe um pouco a política monetária. O dólar também parece sob controle.
Mesmo com a perspectiva de queda dos juros, ele entende que ainda é melhor aplicar a maior parte dos recursos destinados à renda fixa em fundos DI. Mendes afirma que a possibilidade de ganho sobre os DI embutida em aplicações prefixadas, como fundos de renda fixa tradicionais e CDBs, é muito pequena.
Ele diz que, para quem tem apetite por risco, pode ser interessante investir nas Bolsas, que têm boas perspectivas de médio prazo. A adoção do câmbio flutuante deve possibilitar uma redução mais agressiva dos juros, o que torna o investimento em Bolsa mais atraente. Além disso, a perspectiva de retomada do crescimento da economia dá também alento ao mercado.
Se esse quadro positivo confirmar-se, o investidor estrangeiro, que já está voltando para os pregões domésticos, deverá apostar ainda com mais força nas Bolsas brasileiras. Mendes vê dois pontos de incerteza no momento que podem atrapalhar a concretização desse cenário. O primeiro, já mencionado, seria o aparecimento de novos problemas na CPI dos Bancos. O outro seria uma queda brusca da Bolsa de Nova York. As ações norte-americanas estão subindo bastante e, na visão de alguns analistas, podem passar por uma correção técnica, o que poderia afetar a economia mundial.


