Juros devem cair no curto prazo, diz CNI
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quarta-feira, 05 de novembro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
Taxas de juros reais (acima da inflação) excessivamente elevadas não podem ser sustentadas por muito tempo, pois acabam resultando em aumento de inadimplência e, consequentemente, em fragilidade para o setor financeiro - e uma crise financeira, naturalmente, deixaria o Brasil ainda mais vulnerável a um ataque especulativo. A conclusão é do Informe Conjuntural de outubro, da Unidade de Política Econômica (UPE) da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Por isso, segundo o coordenador da UPE, José Guilherme Almeida dos Reis e o economista da entidade Flávio Pinheiro Castelo Branco, as novas taxas de juros, elevadas na semana passada para proteger o real, deverão vigorar por pouco tempo. Afinal, lembram eles, as decorrências de uma tal medida são bastante previsíveis - e obviamente negativas: retração da economia, diminuição no nível de emprego e desequilíbrio das contas públicas.
De acordo com os economistas da CNI, o governo não apenas terá de reduzir rapidamente as taxas de juros, como também deverá ajustar a política econômica para enfrentar mudanças mais permanentes que estão se seguindo à crise iniciada na Ásia. A disposição para financiar economias emergentes foi, na opinião deles, realmente afetada, e para o Brasil, com seu forte desequilíbrio nas contas externas, isso será um problema.
Com menos dinheiro em circulação em todo o mundo, também é de se esperar um crescimento econômico mundial mais modesto. Isso sem contar a melhoria de competitividade dos países asiáticos no comércio internacional, por força da desvalorização que fizeram em suas moedas. Estas duas razões podem tornar as exportações brasileiras mais difíceis.
A recomendação dos economistas da CNI é a de que o governo adote uma combinação mais balanceada dos instrumentos de política econômica, com maior peso para a política fiscal e para a política de competitividade. A solução permanente para os desequilíbrios externo e fiscal, lembram, está na aprovação das reformas constitucionais.


