Taxas de juros reais (acima da inflação) excessivamente elevadas não podem ser sustentadas por muito tempo, pois acabam resultando em aumento de inadimplência e, consequentemente, em fragilidade para o setor financeiro - e uma crise financeira, naturalmente, deixaria o Brasil ainda mais vulnerável a um ataque especulativo. A conclusão é do Informe Conjuntural de outubro, da Unidade de Política Econômica (UPE) da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Por isso, segundo o coordenador da UPE, José Guilherme Almeida dos Reis e o economista da entidade Flávio Pinheiro Castelo Branco, as novas taxas de juros, elevadas na semana passada para proteger o real, deverão vigorar por pouco tempo. Afinal, lembram eles, as decorrências de uma tal medida são bastante previsíveis - e obviamente negativas: retração da economia, diminuição no nível de emprego e desequilíbrio das contas públicas.
De acordo com os economistas da CNI, o governo não apenas terá de reduzir rapidamente as taxas de juros, como também deverá ajustar a política econômica para enfrentar mudanças mais permanentes que estão se seguindo à crise iniciada na Ásia. A disposição para financiar economias emergentes foi, na opinião deles, realmente afetada, e para o Brasil, com seu forte desequilíbrio nas contas externas, isso será um problema.
Com menos dinheiro em circulação em todo o mundo, também é de se esperar um crescimento econômico mundial mais modesto. Isso sem contar a melhoria de competitividade dos países asiáticos no comércio internacional, por força da desvalorização que fizeram em suas moedas. Estas duas razões podem tornar as exportações brasileiras mais difíceis.
A recomendação dos economistas da CNI é a de que o governo adote ‘‘uma combinação mais balanceada’’ dos instrumentos de política econômica, com maior peso para a política fiscal e para a política de competitividade. A solução permanente para os desequilíbrios externo e fiscal, lembram, está na aprovação das reformas constitucionais.

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