Juros devem ajudar a reduzir risco país
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
Rio Os efeitos da elevação da taxa básica de juros para 26,5% ao ano ''não são bons'' no curto prazo porque encarecem o crédito, mas a medida, na avaliação do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, pode abrir espaço para uma queda pela metade do risco país até o fim deste ano, seguida de um avanço mais forte da economia a partir do ano que vem. ''Se conseguirmos derrubar pela metade o risco Brasil até o fim do ano, certamente vamos colher dividendos ainda no curto prazo'', disse o ministro.
O quadro foi traçado ontem no Rio, onde o ministro participou da posse do novo presidente da Câmara de Comércio Americana (Amcham-RJ), Joel Korn. O risco país mede quanto os títulos brasileiros no exterior têm de pagar acima dos papéis americanos para atrair investidores.
Como o assunto diz respeito a outra área do governo, mais precisamente o Banco Central, Furlan fez uma ressalva. ''Meu compromisso na equipe do presidente é tratar e falar sobre temas em que possa oferecer resultados e nessa parte de juros ele tem um auxiliar muito mais competente'', comentou Furlan. Comparando a equipe a um time de futebol, disse que o BC parece mais com um jogador de defesa, enquanto o Desenvolvimento, com um de ataque.
Exportações O ministro reafirmou a meta de aumento de 10% das exportações este ano, que, na sua análise, poderá até ser superada. O avanço previsto representará acréscimo de US$ 6 bilhões nas vendas externas do País e a criação de 400 mil postos de trabalho até o fim do ano. Furlan evitou, contudo, projetar o superávit para o ano. ''Eu não trabalho com superávit porque o que importa para o Brasil é gerar emprego e o crescimento das exportações'', afirmou.
A estimativa de crescimento está baseada na recuperação de US$ 1 bilhão de exportações que deixaram de ser feitas para a Argentina, US$ 3 bilhões adicionais no agronegócio e avanço de 20% nas vendas do setor automotivo e de 10% em calçados. Segundo ele, até uma possível guerra no Iraque poderá se transformar em oportunidade para os exportadores brasileiros.
Quanto às negociações para a Área de Livre Comércio das Américas(Alca), Furlan informou que a proposta americana está sendo analisada e disse que a região tem dois pólos: os Estados Unidos e o Brasil. ''Se não tiver os dois pólos, não vai ser Alca, vai ser outra coisa.'' Na sua avaliação, é preciso aprofundar os estudos sobre o acordo. ''Será uma negociação dura'', afirmou.


