Juros de financiamentos subiram 53,6% em abril
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terça-feira, 22 de maio de 2001
Agência Estado De Brasília 
As taxas médias cobradas pelos bancos nos empréstimos a pessoas físicas e jurídicas subiram 3,1 pontos porcentuais em abril. Com o aumento, estas taxas passaram da média de 50,5% em março para 53,6% no mês passado. Segundo o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, a elevação ainda não reflete as incertezas provocadas pela racionamento e energia. Mas outros cinco fatores: o cenário político, as dúvidas sobre a economia dos Estados Unidos, a queda das bolsas naquele país e também as crises da Argentina e da Turquia.
O problema da energia não afetou as taxas no mês passado, afirmou o diretor. Figueiredo disse que ainda é cedo para avaliar o impacto que o racionamento terá na economia brasileira e nas taxas de juros. Mas na interpretação de analistas de mercado, a questão da energia e seus impactos devem estar sendo avaliados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião, que começou ontem e termina hoje, para decidir os juros básicos da economia.
Nos empréstimos às pessoas físicas o aumento das taxas chegou a 3,2 pontos porcentuais. Até março, as taxas médias cobradas pelos bancos nestas operações estavam em 63,5% ao ano e fecharam abril em 66,7%. A surpresa do mês foram as taxas do cheque especial que tiveram uma queda de 3,7 pontos porcentuais passando da média de 148,8% ao ano para 145,1%. Segundo Figueiredo, embora não sofra uma concorrência direta, o cheque especial é um instrumento de crédito que começa a perder importância. O cheque especial está deixando de ser relevante, disse.
A maior parte do aumento dos juros cobrados das pessoas físicas foi decorrente da elevação do spread, ou seja, do ganho que os bancos têm entre as taxas que oferecem nas aplicações e as que cobram de quem toma dinheiro emprestado. Enquanto a rentabilidade oferecidas pelas instituições nas aplicações de Certificados de Depósitos Bancários (CDB) subiu 0,8 pontos porcentuais, o spread aumentou 2,4 pontos porcentuais. A soma dos dois corresponde à elevação de 3,2 pontos porcentuais nas taxas cobradas das pessoas físicas.
Nas operações com as pessoas jurídicas, as taxas subiram em média 2,4 pontos porcentuais dos quais 1,6 pontos porcentuais correspondem ao spread. As operações mais caras foram as de curtíssimo prazo, como hot money, cujas taxas subiram 3,8 pontos porcentuais. Em seguida, ficaram os descontos de duplicatas com aumento de 3,4 pontos porcentuais no mês.
Ao mesmo tempo que aumentou o custo, também houve um incremento no volume do crédito destinado às pessoas físicas e jurídicas. Em abril, o crédito total atingiu R$ 176,099 bilhões ante os R$ 170,217 bilhões de março. Enquanto o total emprestado às empresas chegou a R$ 114,981 bilhões, os empréstimos às pessoas físicas atingiram R$ 61,118 bilhões. Na avaliação do diretor do BC, o crescimento do crédito no Brasil não deverá ser afetado pelo racionamento de energia. O crédito tem tido um crescimento estrutural que pouco depende da conjuntura, afirmou.
Em abril, o BC também detectou um aumento da inadimplência das pessoas físicas e das empresas. O atraso acima de 90 dias tenha permanecido estável em 3,4%. Mas houve uma redução da parcela dos créditos sem atraso que passou de 92,3% em março para 91,7% no mês passado.


